ABS encontra-se hoje até nos modelos mais acessíveis

Aumento dos sistemas de segurança dos automóveis deu um forte contributo para a diminuição dos acidentes

23.06.2009 - 07:32 Por Aníbal Rodrigues

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A diminuição da sinistralidade rodoviária em Portugal e, consequentemente, do número de mortos e feridos graves está relacionada, em grande medida, com o aumento da segurança dos automóveis a nível activo e passivo. Esta é, pelo menos, a opinião de um especialista nesta matéria. "Sem dúvida que os equipamentos de segurança são extremamente importantes", diz João Dias, investigador especializado em acidentes e docente no Departamento de Engenharia Mecânica do Instituto Superior Técnico de Lisboa.

Factor decisivo para este incremento nos patamares de segurança dos automóveis foi o surgimento, em 1997, do consórcio independente Euro NCAP, que começou a avaliar o comportamento das viaturas em caso de colisões, atribuindo classificações, até um máximo de cinco estrelas, consoante o grau de protecção que os carros proporcionam. "A partir daí começou-se a falar verdadeiramente de segurança, na Europa, algo que já se falava nos Estados Unidos há mais anos", recorda João Dias. A segurança que o Euro NCAP começou por avaliar foi a chamada segurança passiva, aquela que engloba os sistemas que ajudam a minorar os efeitos das colisões.

Mas João Dias chama também a atenção para as evoluções registadas ao nível da segurança activa, que diz respeito aos dispositivos que contribuem para evitar acidentes, um aspecto que o Euro NCAP passou também a valorar desde o início deste ano. "Na última década, a segurança dos automóveis evoluiu imenso, a nível passivo e activo", constata. Em particular, este especialista destaca o surgimento do ABS, que se generalizou em 2001 e impede o bloquear das rodas durante travagens, e o controlo de estabilidade, que, nos últimos anos, tem vindo a tornar-se cada vez mais comum, mesmo em carros mais acessíveis. Este sistema recupera automaticamente a trajectória de uma viatura, sem intervenção do condutor, se ocorrer um desvio à trajectória pré-definida pelas rodas dianteiras.

Recordistas

"Eu nunca mais na vida tenho um carro que não tenha controlo de estabilidade", afirma, convicto, João Dias, um dos responsáveis pela elaboração do relatório oficial sobre o acidente com um autocarro na A23 que provocou 17 mortos.

Mas, para além da grande importância que atribui ao aumento da segurança nos automóveis, quer seja passiva ou activa, o docente e investigador reconhece que houve outros aspectos que contribuíram para a diminuição da sinistralidade nas estradas portuguesas entre 2001 e 2008. Entre eles, o facto de Portugal ser um dos países da União Europeia "recordistas em quilometragem de auto-estradas por habitante e/ou área". "E as auto-estradas diminuem imenso os acidentes - como se vê pela passagem do IP5 a A25 -, apesar de serem um meio caro de o fazer", acrescenta.

João Dias reconhece ainda uma "muito importante melhoria da emergência médica, que é de facto muito mais eficaz, apesar das críticas que por vezes se fazem ao INEM", e, por último, o contributo da "fiscalização e consciencialização das pessoas". No entanto, quanto desafiado pelo PÚBLICO a escolher, entre os quatro factores que apresentou, qual o mais determinante para a diminuição da sinistralidade, João Dias afirmou que precisaria de mais tempo útil para apresentar uma resposta fundamentada.

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