Muitos cristãos estão a fugir do Médio Oriente e de alguns países asiáticos devido à discriminação social e económica de que são alvo, segundo um relatório da organização católica Ajuda à Igreja que Sofre, que vai ser apresentado hoje em Lisboa.
A China continua a ser um dos países visados pelos defensores da liberdade religiosa, que apontam ainda o dedo a Angola, o País Africano de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) mais criticado no relatório devido às restrições impostas pelo Governo à Rádio Ecclesia e à repressão contra manifestantes católicos em Cabinda.
Segundo o documento intitulado "Relatório 2006 Sobre A Liberdade Religiosa no Mundo", 26 pessoas de várias congregações religiosas morreram em 2005 durante o cumprimento de missões em países dos continentes americano, asiático, europeu e africano.
O mesmo relatório indica que o êxodo dos cristãos no Médio Oriente e nalguns países asiáticos deve-se, em larga medida, à pressão e à discriminação social e económica das minorias cristãs em países onde o islamismo é a religião oficial do Estado.
"Atingidos também pela ameaça do terrorismo, os cristãos escolhem, em muitos casos, o caminho do exílio para o Ocidente. É o caso do Iraque e da Palestina, onde é elevado o risco de extinção das comunidades católicas de rito oriental", refere o documento. No Irão, os católicos baptizados, que em 1973 representavam 0,1 por cento da população, hoje são apenas uma ínfima percentagem (0,01 por cento). No mesmo período, no vizinho Iraque, a presença cristã diminuiu em dois terços e na Palestina passou de cerca de 12 por cento para um por cento.
Contudo, a perseguição às minorias religiosas não é uma exclusividade dos países islâmicos, verificando-se igualmente em alguns países maioritariamente budistas ou ateus na Ásia e na Europa de Leste, na América Latina e até mesmo em alguns países da Europa Ocidental, ainda que com menor expressão.
Na Índia, a actividade missionária é alvo de violência sistemática, chegando mesmo a registar-se homicídios.
Angola é um dos países mais criticados
Em África o relatório salienta o caso de Angola. O alargamento da emissão da Rádio Ecclesia a todo o país, que actualmente só transmite para Luanda, tem sido adiado pelo Governo angolano, devido às críticas que a rádio católica faz ao Executivo. O relatório refere ainda os "actos violentos" suscitados pela nomeação de um bispo católico para Cabinda, oriundo de outra província angolana, e refere que o Executivo atribui a responsabilidade destes actos à organização Mpalabanda, um grupo local de defesa dos direitos humanos e "opositor do Governo".
Segundo a mesma fonte, "o Exército [angolano] é acusado de ter instituído um verdadeiro regime autoritário, com detenções arbitrárias, torturas e violações contra a população civil, numa situação de impunidade prática".
Europa de leste e Turquia registam algumas melhorias
Em relação à Europa o documento analisa 14 países, dando especial destaque aos países de leste e à Turquia.
De acordo com o relatório, em alguns países da antiga União Soviética é ainda difícil abrir-se o caminho à ideia da autonomia da religião em relação ao Estado, embora na Geórgia e na Rússia se registem alguns avanços na desnacionalização das igrejas.
Na Rússia, a posição do Estado a respeito das comunidades religiosas registou melhorias, sendo apoiado o diálogo entre as igrejas, mas no interior da sociedade russa o anti-semitismo tem ainda alguma expressão.
Na Turquia foram dados passos no sentido de atribuir mais direitos às comunidades religiosas cristãs, tendo sido aprovado em Junho de 2005 um pacote de reformas que reafirma o respeito pela liberdade religiosa, instituindo como delito o impedimento à expressão do credo religioso, que passou a ser punido com uma pena até três anos de prisão.
França criticada por proibir símbolos religiosos nas escolas
O relatório faz ainda uma referência a França, que baniu o ensino da religião das escolas públicas, por ter aplicado com dureza a lei de 2004 sobre os símbolos religiosos nas escolas públicas.


