Iniciativa da Greenpeace

Associações exigem medidas concretas em defesa dos ecossistemas marinhos

16.10.2009 - 07:37 Por Lusa

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Portugal é o oitavo país do mundo mais envolvido na pesca de profundidade em alto mar Portugal é o oitavo país do mundo mais envolvido na pesca de profundidade em alto mar (Pedro Cunha)
Uma dezena de organizações não-governamentais nacionais junta-se à campanha da associação ambientalista Greenpeace pedindo ao Governo português que adopte medidas concretas contra a destruição dos ecossistemas marinhos prejudicados pela pesca de profundidade em alto mar.

Portugal é o oitavo país do mundo mais envolvido na pesca de profundidade em alto mar e, dentro da União Europeia, Portugal, França e Espanha "são os países com maiores frotas de pescas de profundidade em águas internacionais", disse à Lusa Lara Teunissen, porta-voz em Portugal da Greenpeace, organização que apresenta hoje uma campanha de sensibilização dos portugueses para esta questão.

As organizações nacionais, entre as quais a Quercus e a Liga para a Protecção da Natureza, vão brevemente enviar ao Governo português uma carta na qual pedem "que adopte uma posição firme em defesa destes ecossistemas vulneráveis".

A exigência enquadra-se na campanha internacional contra a pesca de profundidade, considerada uma das mais destrutivas e a maior ameaça à biodiversidade das profundezas do oceano, onde se refugiam uma variedade de espécies marinhas sensíveis.

Entre 16 e 29 de Outubro, a Greenpeace vai estar em oito cidades de norte a sul do país com actividades "para alertar os consumidores portugueses para a destruição destes ecossistemas vulneráveis e pressionar as grandes cadeias de distribuição alimentar a terminar a venda de espécies de peixes de profundidade".

Entre as espécies ameaçadas à venda nos supermercados estão o tamboril, o alabote da Gronelândia, o peixe-espada negro e a marlonga negra, apontam os ambientalistas.

A campanha "SOS Oceanos em Perigo - Roadtour europeia da Greenpeace em Portugal" passará por Almada (sábado), Setúbal (segunda-feira), Faro (21 de Outubro), Coimbra (dia 24), Aveiro (26), Gaia (28) e Porto (29).

"Durante o dia teremos actividades de sensibilização junto aos supermercados, para chamar a atenção dos consumidores para as espécies de peixe que estão à venda e que estão ameaçadas ou cuja captura implica a destruição do ecossistema", revelou Lara Teunissen.

A porta-voz acrescentou que no final do dia será montada no local "uma exposição de fotografias sobre estas misteriosas criaturas" e exibidos dois filmes sobre o caminho destes peixes, desde o fundo do mar às prateleiras de supermercado.

"Por exemplo, o olho de vidro laranja é um peixe de profundidade que só atinge a sua maturidade reprodutiva aos 20 anos de idade e vive em média 150 anos, muito mais do que a esperança média de vida de um ser humano. Neste sentido, a sua pesca é insustentável", exemplifica Lara Teunissen, realçando que "hoje em dia existem mais mapas da superfície da Lua do que do fundo do mar" e que dentro em breve nem será possível antever "o impacto que esta destruição vai ter para a regulação dos ecossistemas a nível planetário".

Em Novembro, governos de todo o mundo reúnem-se na Assembleia Geral das Nações Unidas para voltarem a discutir uma resolução de 2006 que pretende proteger estes ecossistemas.

"Três anos depois, muitas destas medidas continuam por implementar e é necessário adoptar uma postura de protecção real, para que sejam efectivamente desenvolvidas", defende Lara Teunissen.

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silva rui

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