A comissão que representa as associações de imigrantes que se manifestaram no dia 15 de Março, em Lisboa, é recebida hoje pelo gabinete do primeiro-ministro, em São Bento, onde vai entregar uma resolução com várias reivindicações.
"Vamos ser recebidos por Artur Penedos, assessor do primeiro-ministro para os Assuntos Sociais e Laborais, para entregar uma resolução que dá conta dos vários problemas que se vivem no seio dos imigrantes", disse à Agência Lusa Timóteo Macedo, um dos membros da comissão.
A manifestação, que acabou com uma concentração no Largo de Camões, envolveu associações de imigrantes, direitos humanos, anti-racistas, organizações da sociedade civil, da Igreja Católica, movimentos de cidadãos e sindicatos.
Essas entidades aprovaram então uma resolução, com várias "pontos reivindicativos", para ser entregue ao primeiro-ministro, José Sócrates.
No documento, subscrito por cerca de 30 organizações, "propõe-se que se atribua a todos/as os/as imigrantes que ainda não se conseguiram regularizar a prorrogação da sua permanência por 90 dias, independentemente de terem ou não um visto de entrada".
"Uma vez que a estabilidade e o direito à família é fundamental para a melhor integração de todos/as na sociedade, propõe-se que a renovação de documentos e o reagrupamento familiar não fiquem dependentes dos rendimentos que cada um/a usufrui", é outra proposta da resolução, em que se defende também que "sejam alteradas as taxas e valores exorbitantes que os/as imigrantes pagam para a aquisição e renovação dos seus documentos".
Os subscritores da resolução repudiam "as manifestações xenófobas e racistas, que utilizam os/as imigrantes como bodes expiatórios para os problemas gerais da sociedade, em especial os/as jovens, e que se manifestam, também, através de rusgas estigmatizantes e violentas levadas a cabo pela polícia em muitos bairros precários".


