Reacção a entrevista publicada sábado no semanário “Sol”

Associação repudia declarações de Paulo Rangel sobre direitos dos animais

27.10.2008 - 19:48 Por PÚBLICO

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O líder parlamentar do PSD defendeu a superioridade do ser humano e a ausência de direitos dos animais O líder parlamentar do PSD defendeu a superioridade do ser humano e a ausência de direitos dos animais (Paulo Ricca (arquivo))
A Associação Animal repudiou hoje a visão do líder parlamentar do PSD sobre os direitos dos animais. Em comunicado, dizem que o social-democrata mostrou “um assustador trogloditismo pré-científico, racionalmente oco, socialmente atávico e politicamente irresponsável” na entrevista que deu este fim-de-semana ao semanário “Sol”.

Paulo Rangel defendeu, entre outras coisas, que não faz sentido haver um Dia do Cão ou um Dia dos Animais, argumentando que “um cão nunca deixa de ser um cão”. “Trocaria a vida do meu cão pela vida de qualquer pessoa em qualquer lado do mundo, mesmo não a conhecendo. Uma pessoa vale sempre mais do que um animal”, lê-se na entrevista.

Por outro lado, o líder parlamentar explica que considera que “os animais merecem protecção mas não são titulares de direitos” pois quem tem obrigação de os tratar bem é o ser humano. “Para mim essa é uma concepção errada [a de que os animais devem ter direitos]. Acho que só as pessoas devem ser titulares de direitos”. “Os animais [também sofrem], mas não sofrem como nós”, acrescentou.

O deputado afirmou, ainda, que algumas tradições como a caça ou as touradas “com determinadas características e determinados limites” são toleráveis por fazerem parte da cultura, bem como o uso de animais no fabrico de vestuário, desde que não estejam em perigo de extinção.

“Lado negro”

Na sequência destas declarações, a Animal considera que Paulo Rangel revelou um “desconcertante lado negro” e que “é absolutamente inacreditável, nos dias de hoje, que o líder parlamentar do segundo maior partido político português possa apresentar, da forma mais despudorada possível, uma visão tão medieval”.

Ainda de acordo com o comunicado emitido hoje, assinado pelo presidente da Animal, Miguel Moutinho, estas frases vêm “retirar ao líder parlamentar do PSD qualquer credibilidade que este pretendesse ter ou manter enquanto político ajustado aos tempos modernos. Com estas declarações, Paulo Rangel revelou-se uma espécie de Sarah Palin de Portugal”, assegura.

A Animal vai por isso promover um protesto online “massivo, nacional e internacional” que será, posteriormente, dirigido à líder do partido, Manuela Ferreira Leite e a Paulo Rangel “para que fique claro que declarações destas não são aceitáveis em instância alguma nem passam sem consequências, menos ainda quando são produzidas por responsáveis políticos que, antes de fazerem declarações públicas acerca de problemas eticamente relevantes, devem medir muito bem o que dizem, ainda que, e especialmente quando, padeçam de confusões morais graves”.

Com este protesto, a associação pretende mostrar que, a um ano de três importantes eleições (legislativas, autárquicas e europeias), a opinião dos políticos sobre os animais também conta na hora de votar, pelo que “ a presidente do PSD deve perceber isto e reflectir sobre quem tem a dirigir o seu grupo parlamentar”, afirma Miguel Moutinho.

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Comentário + votado

Eu não trocava a vida de um dos meus 5 cães pela dele....

Arménio Costa

04.11.2008 14:14

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