Liberalização da propriedade das farmácias

Associação Nacional de Farmácias defende modelo actual mas aceita decisão do Governo

26.05.2006 - 11:40 Por Lusa, PUBLICO.PT

  • Votar 
  •  | 
  •  0 votos 
A Associação Nacional de Farmácias diz que os países europeus não usam o modelo proposto por Sócrates A Associação Nacional de Farmácias diz que os países europeus não usam o modelo proposto por Sócrates (José Caria/PÚBLICO (arquivo))
A Associação Nacional de Farmácias (ANF) está contra a decisão anunciada hoje pelo primeiro-ministro de liberalizar a propriedade das farmácias, de que já tinha conhecimento, mas aceita-a, revelando hoje que vai propor a realização de "um grande debate nacional" sobre o tema. A ANF assina hoje o acordo com o Governo que retira aos licenciados em farmácia a exclusividade da propriedade destes estabelecimentos.

"A propriedade das farmácias vai deixar de ser um exclusivo dos licenciados em farmácia. Termina assim um regime de condicionamento reconhecidamente anacrónico que perdurou tempo demais", anunciou José Sócrates durante o debate mensal na Assembleia da República, hoje dedicado ao tema das políticas de acesso ao medicamento.

Reagindo às declarações do primeiro-ministro, a ANF salienta, em comunicado, que sempre defendeu o modelo actual da propriedade das farmácias, por ser o que "melhor serve os interesses dos doentes". A ANF assinala que actualmente "a esmagadora maioria dos países da Europa Comunitária, nomeadamente os mais desenvolvidos", aplica este modelo.

Ainda assim, assinala a associação, face à decisão do Governo de "legislar noutro sentido", a ANF acedeu ao convite do Executivo para "colaborar na elaboração de um documento conjunto que, para além da questão da propriedade, introduz múltiplas alterações ao regime de instalação e funcionamento das farmácias." O documento mostra, segundo a ANF, "as posições consensualizadas entre o Governo e a ANF", condicionadas à partida pela decisão do Governo de liberalizar a propriedade de farmácia.

A ANF sublinha que, "ao aceitar esta negociação conclusiva com o Governo", que terminou com um "acordo de princípios", demonstrou "que as farmácias querem continuar a ser um parceiro responsável e patriótico no sector da saúde".

"Vamos propor ao Governo que promova connosco um grande debate nacional, em particular na Assembleia da República, acerca da farmácia e do medicamento", adianta a ANF no comunicado.

José Sócrates advogou que a reserva da propriedade da farmácia para os farmacêuticos "já não faz qualquer sentido nos dias" de hoje.

No Parlamento, o primeiro-ministro disse que "a ANF não está de acordo com a mudança quanto à liberalização", reconhecendo a colaboração e o "comportamento responsável" da associação ao entrar no debate e procurar a convergência.

"O elogio que fiz à ANF é de inteiro merecimento. É um sector moderno, mas que não recusa as mudanças, quer progredir, evoluir, melhorar. Quer juntar à qualidade que já oferece às pessoas ainda mais qualidade", aplaudiu o primeiro-ministro.

Estatísticas

  • 284 leitores
  • 17 comentários

URL desta Notícia

http://publico.pt/1258491

Comentário + votado

Parece-me bem

esta mudaça parece-me bem. A lei que regulava este assunto datava dos anos 60, altura em que havia ...

Anónimo

28.05.2006 14:38

X

Mais em Sociedade (6 de 21 artigos)

O surto está a ser vigiado pela OMS, que tem equipas no terreno Surto de coléra em Angola já provocou 1451 mortos