Associação de Profissionais da Guarda concorda com críticas do inspector-geral da Administração Interna

24.11.2007 - 12:31 Por Lusa
A Associação de Profissionais da Guarda considera que o inspector-geral da Administração Interna fez uma "leitura muito clara" da actual situação daquela força de segurança na entrevista publicada pela edição de hoje do semanário "Expresso", em que critica a actuação da PSP e GNR.
Temos uma leitura muito próxima, já manifestada por diversas vezes, inclusive junto da tutela", disse hoje à agência Lusa o presidente da associação, José Manageiro.
Para este profissional, a GNR está hoje "pior do que há alguns anos", nomeadamente no "acentuar da vertente militar", que a "descaracteriza enquanto força de segurança".
Na entrevista ao jornal, António Clemente Lima afirma que a GNR "vê o cidadão como inimigo".
Segundo o líder da Associação de Profissionais da Guarda, não é possível que um sector profissional "sem direitos", seja ele qual for, possa "reconhecer e respeitar os direitos dos outros". "Este factor para nós é fundamental", acentuou.
"O que se passa na GNR é o recurso a mão-de-obra barata", afirmou José Manageiro, reclamando uma modernização ao Governo. "Isso influencia o serviço prestado às populações", considerou, acrescentando que o Governo insiste "num modelo obsoleto".
"Temos uma força de segurança que é enquadrada por oficiais generais das Forças Armadas e a formação de novos oficiais, que são os futuros líderes da instituição, é feita na Academia Militar", criticou, referindo que Portugal é o único país da Europa onde tal acontece. Segundo José Manageiro, trata-se de um sistema que "não serve os cidadãos, nem serve o país".
Hoje realizam-se dois encontros de profissionais da Guarda, no Seixal e em Coimbra, para reflectir sobre o estado actual da GNR e "aquilo que resulta das novas alterações que estão previstas na lei orgânica", indicou. "Não se pode manter esta ausência de informação com estas orgânicas que afectam a vida das pessoas", denunciou.
De acordo com José Manageiro, estão em causa transferências, colocações e condições de serviço. "O Governo contribuiu muito para este estado em que a GNR se encontra porque não alarga os direitos na GNR", acusou José Manageiro. "O direito associativo ainda é vedado na GNR. A lei aprovada na Assembleia da República não foi regulamentada pelo Governo", afirmou.
Na entrevista ao semanário, o inspector-geral afirma que as perseguições da GNR são "iniciadas por motivos inadequados", que há "muita intolerância" da polícia em relação ao cidadão e muita "exibição da pistola".
"Problemas mais graves temos na área de intervenção da GNR, com perseguições policiais iniciadas por motivos que me parecem inadequados, como por exemplo, por passar um sinal vermelho ou desobedecer a uma ordem de paragem numa operação stop", disse Clemente Lima.
Este responsável diz ainda que "há incompetência a mais na polícia".

