Associação de morte de feto com vacinação contra gripe A foi “meramente circunstancial”

16.11.2009 - 10:55 Por Lusa
O presidente do colégio de especialidade de Ginecologia e Obstetrícia da Ordem dos Médicos, Luís Graça, considera que a associação entre a morte de um feto e a vacinação contra a gripe A foi circunstancial, sublinhando que, se a autópsia revelasse uma ligação, seria o primeiro caso no mundo.
Uma grávida de 34 semanas perdeu o bebé no sábado, três dias depois de ter sido vacinada contra o vírus H1N1, dois factos que os familiares suspeitam que estejam ligados, mas que o hospital diz não ser possível relacionar.
“Esta associação é meramente circunstancial, pelo menos, até que haja uma nova explicação para este caso”, afirma Luís Graça. O médico adianta que, caso fosse estabelecida uma ligação, seria o “primeiro caso no mundo”.
“Isso é uma situação que não está descrita e, a acontecer neste caso, seria a primeira do mundo”, sustenta, comentando que não será “muito lógico” estar a tirar-se essa ilação. Neste momento, acrescenta, “posso dizer que se esta senhora não tivesse sido vacinada, provavelmente, esta morte fetal perto do termo aconteceria na mesma”.
Luís Graça explica que a morte interina perto do termo é uma situação que acontece, registando mais de 300 casos por ano em Portugal. Segundo o responsável, são mortes inexplicáveis de fetos normais, que podem ser associadas, “muito indirectamente, à morte súbita do recém-nascido”.
Ressalva ainda que, enquanto não forem revelados os resultados da autópsia não se pode tirar outras ilações, porque o bebé pode ter morrido por uma quantidade de causas relacionadas com malformações da placenta, com circulares do cordão umbilical, entre outras situações que nada têm a ver com o facto de a grávida ter sido vacinada contra a gripe.
O médico sublinha ainda a segurança da vacinação antigripal nas grávidas: “É mais seguro uma pessoa ter contacto com o vírus da gripe morto do que ter o contacto com o vírus da pandemia”. “O risco é muito maior se uma grávida for infectada com o vírus da gripe”, sustenta, lembrando que, apesar de a doença ser benigna na maior parte das vezes, as grávidas têm um risco dez vezes superior de ter uma complicação do que a população em geral. “A grávida deve ser imunizada sem ter qualquer tipo de receio”, reitera o médico.
Os resultados da autópsia ao feto deverão ser conhecidos “a meio da semana”, disse uma fonte oficial do Ministério da Saúde. “A autópsia será feita no hospital Egas Moniz o mais rapidamente possível, mas só hoje saberemos quando ela será feita."

