Estratégia para enfrentar alterações climáticas depois de 2012

Assinado acordo para a era pós-protocolo de Quioto

27.07.2005 - 15:42 Por AFP, Reuters

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Bush terá debatido o acordo na semana passada com líderes australiano e indiano Bush terá debatido o acordo na semana passada com líderes australiano e indiano (Paul Morse/EPA)
Os Estados Unidos, a Austrália, a China, a Índia e a Coreia do Sul assinaram um acordo sobre as emissões de gases com efeito de estufa que tem como objectivo a era pós-protocolo de Quioto. A grande aposta é nas novas tecnologias.

Esta aliança, que ainda não foi anunciada oficialmente, vai reunir países que totalizam mais de 40 por cento das emissões mundiais de gases com efeito de estufa (GEE), considerados responsáveis pelo sobre-aquecimento do planeta, noticia o jornal "The Australian".

Uma fonte governamental australiana confirmou a existência de um acordo, mas precisou que a lista de países envolvidos ainda não está concluída. É esperado um anúncio formal ainda esta semana. A Reuters avança que o anúncio deverá ser feito amanhã pelo vice-secretário de Estado norte-americano, Robert Zoellick, em conferência de imprensa a realizar no Laos.

Os Estados Unidos e a Austrália não ratificaram Quioto, um protocolo que impõe aos países industrializados uma redução das suas emissões de GEE até 2008-2012. A China e a Índia ficam de fora porque são considerados países em desenvolvimento.

Esta nova iniciativa norte-americana para uma estratégia "pós-Quioto" está a ser debatida há cinco meses e fez parte do programa da reunião, na semana passada, em Washington, entre o primeiro-ministro australiano, John Howard, e o Presidente norte-americano, George W. Bush, acrescenta o "The Australian". No mesmo dia, o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, debateu a proposta com George W. Bush.

Ian Campbell, ministro do Ambiente australiano, confirmou hoje que os cinco países têm trabalhado no acordo há vários meses. "É muito claro que o protocolo de Quioto não vai levar o mundo onde este quer ir... Temos que encontrar algo que funcione melhor", disse Campbell aos jornalistas.

"Precisamos de expandir a energia que o mundo consome e reduzir as emissões. Para isso são necessárias novas tecnologias e a sua disponibilização aos países em desenvolvimento", acrescentou.

Rajendra Pachauri, do Painel Intergovernamental da ONU para as Alterações Climáticas, considera que esta "é uma boa ideia porque o desenvolvimento destas tecnologias é importante. Além disso, sempre disse que deveria existir uma parceria entre o Norte e o Sul". O acordo "não interfere com o protocolo de Quioto", garantiu.

Entre as vozes contra o acordo conta-se a de Bob Brown, líder dos Verdes australianos, para quem este "é um pacto do carvão", tendo em conta a presença dos quatro maiores produtores do mundo. A Austrália e a China são os maiores exportadores de carvão do mundo. "Trata-se de afastar o dinheiro dos contribuintes das tecnologias limpas para tentar tornar a queima do carvão menos ‘suja’", denunciou.

"Se for um acordo sobre transferência de tecnologia apropriada, então pode ser um instrumento útil. Mas não às custas do único tratado internacional para lutar contra as alterações climáticas", considerou Catherine Fitpatrick, da Greenpeace.

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