Os dois homens acusados de terem assaltado uma agência do BPI de Viseu, em Setembro do ano passado, foram hoje condenados pelo tribunal local a penas superiores a nove anos de prisão efectiva.
Pierre Joseph Etcheverria, de 49 anos, e Pierre Giudicelli, de 69 anos, ambos franceses, foram condenados, em cúmulo jurídico, a nove anos e quatro meses e nove anos e dois meses de prisão, respectivamente.
Ambos foram condenados pelos crimes de roubo qualificado (oito anos de prisão), detenção de arma proibida (dois anos) e resistência e coacção sobre funcionário (dois anos para Etcheverria e um ano e seis meses para Giudicelli).
A diferença de pena relativamente ao último crime deve-se, segundo explicou o juiz, a Giudicelli ter tido uma participação menor.
Dada a ausência dos dois franceses, que tinham pedido dispensa de comparência, o juiz prescindiu da leitura do acórdão, dando apenas a conhecer as penas aplicadas pelo tribunal.
O juiz explicou que "foi provada toda a factualidade que constava da acusação", excepto que "Giudicelli tivesse tirado a placa do Wolkswagen e depois incendiado o mesmo".
Os dois homens levaram do BPI 26.665 euros, algumas libras esterlinas e francos suíços, tendo depois fugido e ficado escondidos cinco dias no mato, até que foram encontrados pelas autoridades. Pretendiam regressar a Águeda (onde tinham estado alojados durante a preparação do assalto), para depois fugirem para Espanha, mas foram interceptados por um agente da PSP num semáforo quando seguiam num Jaguar (depois de terem incendiado o Wolkswagen) e posteriormente perseguidos por um carro daquela polícia. Seguiram em direcção à Ribeira de Asnes, próximo do Rio Pavia, local onde abandonaram o carro, fugindo depois a pé para dentro do mato.
Durante o julgamento justificaram ter realizado o assalto com intenção de obter dinheiro para investir numa "coelheira" na pequena aldeia de Olmi Capella, na Córsega, França.
Ambos tinham antecedentes criminais, tendo-se conhecido numa das vezes em que estiveram presos numa cadeia francesa em 1985, altura em que construíram uma forte amizade.
Defesa contestou pena
A pena, superior aos oito anos e quatro meses de prisão pedidos pelo Ministério Público nas alegações finais, foi contestada pelo advogado de defesa, Daniel Queiroz, que a considerou exagerada.
Na sua opinião, a tal "não foi alheia a onda de assaltos que tem grassado pelo país", tendo o acórdão "um efeito persuasivo" no sentido da prevenção de crimes desta natureza.
No entanto, considerou que os factos provados em julgamento não estão em conformidade com a decisão do tribunal e, por isso, entende que os seus clientes deveriam recorrer.
"A defesa entende que deveria haver uma maior diferenciação na condenação entre o mais velho e o mais novo", frisou, lembrando que "Etcheverria desde o início assumiu responsabilidade de todo o ilícito, embora o outro o tivesse acompanhado".
Defendeu que, por terem confessado, ambos deveriam ter tido uma pena mais leve. Em relação ao mais velho, "atendendo à idade e ao estado de saúde", considerou que deveria ter ficado com pena suspensa.
Os dois cidadãos franceses encontram-se no Estabelecimento Prisional de Coimbra, podendo cumprir a pena em Portugal ou em França.


