Alegações finais

Assaltante do BES conhece sentença a 6 de Julho

15.06.2009 - 17:45 Por Lusa

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O assalto foi no Verão passado O assalto foi no Verão passado (Vasco Neves (arquivo))
A leitura do acórdão do julgamento de Wellington Nazaré, um dos dois homens que tentaram assaltar uma agência do BES em Campolide, em Lisboa, no Verão passado, ficou hoje marcada para 6 de Julho.

Nas alegações finais realizadas hoje no Tribunal da Boa Hora, em Lisboa, perante um tribunal de júri, o Ministério Público (MP) pediu que o réu fosse condenado com severidade por um crime de roubo qualificado na forma tentada, seis crimes de sequestro e um de detenção de arma proibida, manifestando a convicção de que o tribunal de jurados chegará "a uma medida da pena adequada" à gravidade dos factos praticados.

A procuradora Maria João Lobo considerou que o arrependimento que Wellington Nazaré manifestou não passou de uma "palavra vã" e realçou a forma violenta e ameaçadora com que, juntamente com o seu cúmplice (morto pela PSP), tratou as pessoas sequestradas durante horas no interior da agência bancária, a 7 de Agosto de 2008.

Os advogados do BES e de dois funcionários daquele banco partilharam da posição do MP, apontando a "frieza, calculismo e a determinação" com que Wellignton Nazaré actuou no assalto, ameaçando de morte, várias vezes, as pessoas que manteve sequestradas e que ainda hoje não têm uma vida normal.

Defesa pede clemência

João Martins Leitão, advogado de defesa, pediu que Wellington Nazaré seja apenas condenado pelo crime de roubo qualificado na forma tentada, por entender que a abrangência deste "consome" os crimes de sequestro e detenção de arma proibida.

Reagindo à posição do MP, que pediu "especial severidade" na pena a aplicar, o causídico pediu "clemência" e "humanidade" para um jovem brasileiro, de 24 anos, sem antecedentes criminais e que naquele "pior dia da sua vida" foi atingido por quatro tiros da PSP, carregando ainda consigo uma bala no corpo.

No final da audiência, dirigida pelo juiz Sérgio Corvacho, o arguido quis falar para manifestar novamente o seu "arrependimento" e alegar que "não é um criminoso".

À saída do Tribunal da Boa Hora, João Martins Leitão defendeu que, do seu ponto de vista, só o crime de roubo qualificado na forma tentada está preenchido, pelo que a condenação não poderá ultrapassar os 10 anos de prisão.

Mostrou-se convencido de que os jurados (cinco mulheres e três homens) saberão aplicar "uma pena realmente justa e adequada" e disse ser intenção de Wellington Nazaré cumprir a pena de prisão no Brasil, mais concretamente em Minas Gerais, onde tem família.

No acórdão marcado para 6 de Julho o tribunal terá também que decidir sobre pedidos de indemnização cível movidos pelo BES e pelos funcionários sequestrados durante o assalto, que se constituíram assistentes no processo.

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não é um criminoso

«o arguido quis falar para manifestar novamente o seu "arrependimento" e alegar que "não é um ...

Anónimo

15.06.2009 18:36

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