A Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP) criticou hoje o Ministério da Administração Interna por "desvalorizar" a PSP, ao recusar aumentos de verba, e classificou como "singelas" as matérias em que foi possível acordo.
Segundo a ASPP, que na terça-feira se reuniu com o ministro da Administração Interna, Rui Pereira, a tutela demonstrou "alguma receptividade" à reintegração dos cônjuges nos serviços de saúde da PSP, benefício de que usufruíram até 2005.
"Ao nível da saúde, o Ministério da Administração Interna (MAI) referiu que é um caso a estudar e que dentro em breve nos daria uma resposta, mas estão sensíveis e, provavelmente, irão ao encontro das nossas expectativas", afirmou à Lusa Paulo Rodrigues, presidente da ASPP.
Também o regulamento dos serviços remunerados mereceu, segundo Paulo Rodrigues, "preocupação" por parte do ministro, tendo sido comunicado à ASPP que lhe seria entregue, "com alguma brevidade", um projecto para apreciação e posterior aprovação.
Porém, lamentou Paulo Rodrigues, "as poucas coisas em que houve, por parte do MAI, alguma receptividade foram muito singelas", tendo ficado sem resposta matérias como o aumento de verba para a PSP, que a ASPP considera "bastante baixa, tendo em conta as necessidades".
Esta é uma das principais exigências do caderno reivindicativo da ASPP, entregue terça feira ao MAI, e que foi recebida com menções às "dificuldades orçamentais" por parte do Ministério, afirmou Paulo Rodrigues.
A PSP "cresceu bastante" em áreas de actuação e população abrangida desde a redefinição das áreas competência com a GNR, em 2007, nomeadamente em Lisboa e no Porto, e a "despesa acrescida não foi contemplada" criticou Paulo Rodrigues.
O dirigente afirmou que, enquanto a verba da GNR "continuou a aumentar, a da PSP não foi actualizada", o que gerou situações como falta de dinheiro para compra de passes de transportes público para os agentes, ou para a manutenção de viaturas.
"São dificuldades que põem em causa o normal funcionamento da instituição e a segurança dos cidadãos e é isto que o Governo não pode desvalorizar. Havendo dificuldades é preciso definir prioridades", salientou Paulo Rodrigues.
A ASPP vai agora aguardar "dez a 15 dias" por uma "reposta concreta" do MAI ao seu caderno reivindicativo, e pediu reuniões à Frente Comum dos Sindicatos da Função Pública, à Frente Sindical da Administração Pública (Fesap) e ao Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE) para se envolver na negociação salarial para os polícias.
Paulo Rodrigues adiantou que a ASPP pede um aumento de 4,5 por cento para "equilibrar as dificuldades" sentidas pelos agentes que "perderam nove por cento de poder de compra desde 2000".


