Quem está no perímetro de segurança do palco, é obrigado a acreditar-se junto da PSP. O café de Miguel Amaral, na Avenida dos Aliados, no Porto, escapou por pouco. Mas, mesmo assim, vai ser obrigado a abastecer-se antecipadamente. "Entre as 00h00 e as 17h00 de sexta-feira não vão poder circular viaturas no corredor do Papa", justifica o empresário. As restrições de trânsito vão obrigar ainda Miguel Amaral a um passeio a pé forçado desde o Jardim do Morro, em Gaia, onde o metro acabará, e o café, na Baixa portuense. Vir trabalhar de carro não é opção. "O perímetro de segurança relativamente às viaturas abrange uma grande zona e vai haver vários parques fechados", explica. Por isso, uma parte do percurso teria sempre que ser feita a pé. Contratempos à parte, o empresário espera que visita de Bento XVI traga o milagre da multiplicar do negócio, num dia sem incidentes.
Miguel Amaral
Sócio-gerente do Café Aliança
Tolerâncias a menos
Para muitos, as tolerâncias de ponto atribuídas a propósito da visita do Papa, a 13 de Maio para todos os funcionários públicos e a 14 para os do concelho do Porto, significam uma complicação extra num dia-a-dia normalmente atribulado. Mas há quem se queixe de tolerâncias a menos e agradeça a Bento XVI um fim-de-semana prolongado. Tiago Cruzeiro, 18 anos, estudante de Informática na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, é um deles. A visita do Papa vai valer-lhe o dia de sexta-feira sem aulas, mas queria também a quinta. "Temos aulas no dia 13. A princípio pensávamos que não íamos ter, mas depois a faculdade informou-nos por e-mail que só não tínhamos aulas no dia 14", conta o estudante, ainda na ressaca do cortejo da Queima das Fitas de ontem. Apesar de reconhecer que em altura de crise "é chato" as pessoas perderem um dia de trabalho, Tiago Cruzeiro concorda com as tolerâncias: "As pessoas que querem vir merecem a oportunidade". Quanto a si, católico convicto e praticante, diz que não virá. "Vou para a minha terrinha", brinca ao precisar que é natural de Viana do Castelo "É muito complicado, o Porto vai estar caótico!", justifica o estudante.
Tiago Cruzeiro
Estudante de Eng. Informática
Ama de serviço
Viúva e reformada, Maria Emília Teixeira, de 58 anos, equilibra os dias entre o voluntariado na Liga dos Amigos do Hospital de Santo António, no Porto, e apoio aos dois netos. Como na sexta-feira de manhã, 14 de Maio, Daniel, de sete anos, e Sara, de quatro, não têm aulas, devido à tolerância de ponto decretada no concelho, a liga terá que ceder. "Nas escolas disseram-me que podia trazê-los à tarde se viessem já almoçados, mas para vir de Francelos e ter que os ir buscar às 17h00, fico com eles", explica a avó, enquanto o neto a empurra para o comboio. Católica desde sempre, Maria Emília diz que até gostava de vir ver o Papa ao Porto, mas a confusão e as restrições à circulação minguaram-lhe a vontade. "Se não for possível, vejo na televisão", remata, já conformada.
Maria Emília Teixeira
Reformada


