Arguidos do processo da máfia da margem sul afastados da audição de testemunhas

02.05.2011 - 16:02 Por Lusa
Os arguidos do processo de uma rede de extorsão através da segurança de bares que está a decorrer no Tribunal do Seixal não estarão presentes na audiência de hoje à tarde para evitar que as testemunhas deponham sob pressão.
Esta tarde serão ouvidas duas testemunhas, uma das quais não pôde ser ouvida de manhã devido a uma “incompatibilidade” do sistema de videoconferência.
A outra, que não compareceu na sessão da manhã, deverá vir a tribunal ao abrigo de um mandado de captura para prestação de depoimento, emitido hoje pelo colectivo de juízes.
O processo, também denominado como “máfia brasileira”, começou por reunir 26 arguidos - acusados de mais de 100 crimes, como homicídio, sequestro, associação criminosa, prática de segurança ilegal em bares e discotecas, porte de arma proibida, entre outros - e conta, a partir de agora, apenas com 24.
Segundo o Correio da Manhã, o grupo liderado pelo instrutor de jiu-jitsu Sandro “Bala” está acusado, por exemplo, de nos últimos anos ter forçado, sob ameaças de extrema violência, donos de bares e discotecas da margem sul e de Lisboa a contratar os seus serviços de segurança ilegais.
O grupo também terá também angariado praticantes de jiu-jitsu no Brasil, forjando-lhes títulos de permanência em Portugal como desportistas.
A partir de hoje, o tribunal tem cerca de uma centena de testemunhas para ouvir.
Dois arguidos – Sandro Lima, conhecido como Sandro "Bala", e Wanderley Silva – serão julgados em processo separado, uma vez que, estando ambos fora do país, não puderam ser notificados para comparecer em tribunal.
A Lusa apurou junto de uma fonte da defesa que, em ambos os casos, foram emitidos mandados de captura internacional.
Para a sessão desta manhã, que começou com hora e meia de atraso, o dispositivo policial foi reforçado, como já tinha acontecido nas duas sessões anteriores.
O Corpo de Intervenção Especial da Polícia limitou os acessos ao tribunal, impediu o estacionamento no espaço circundante e todas as pessoas foram revistadas à entrada.
O tribunal ouviu hoje um ex-funcionário do Buddha Bar (Lisboa) que teve, “durante cerca de dois anos”, funções na gestão de pessoal e que negou que quer Sandro Lima, quer Wanderley Silva, tivessem trabalhado no bar como seguranças.
A testemunha afirmou que ambos frequentavam o bar e negou ainda ter sido contactado por algum dos arguidos no processo antes da audiência de hoje.
Estão agendadas sessões para audição de testemunhas até final de Maio, mas é provável que os depoimentos se prolonguem além dessa data.

