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Em declarações à BBC

Arcebispo de Maputo acusa Europa de querer matar africanos com vírus da sida

27.09.2007 - 17:18 Por Marta Ferreira dos Reis

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A Liga Portuguesa contra a Sida condena a afirmação do arcebispo A Liga Portuguesa contra a Sida condena a afirmação do arcebispo (Reuters)
O responsável pela Igreja Católica de Moçambique, o arcebispo Francisco Chimoio, acusa dois países europeus de quererem matar a população de África com o vírus da sida. Em declarações à BBC, o arcebispo de Maputo disse que os preservativos e os medicamentos anti-retrovirais que chegam ao país estão infectados.

"Os preservativos não são seguros porque há dois países na Europa que estão a fazer preservativos infectados com o vírus de propósito", afirmou Francisco Chimoio em declarações à BBC.

"Querem acabar com a população de África, é esse o objectivo. Se estamos a brincar com esta doença vamos acabar o mais depressa possível", afirmou o responsável.

Activistas moçambicanos chocados com acusação do arcebispo

Segundo a BBC, Marcella Mahanjane e Gabe Judas, dois activistas da luta contra a sida no país, ficaram chocados com as declarações de Francisco Chimoio.

"Os preservativos são uma das melhores formas de protecção contra a infecção", disse Gabe Judas, responsável pela companhia de teatro Tchivirika, que promove acções de prevenção e esclarecimento sobre o vírus da sida.

Para Francisco Chimoio, a problemática da sida em Moçambique exige uma mudança rápida de mentalidades: "Significa casamento, maridos fiéis às suas mulheres... jovens que se abstêm de ter relações sexuais".

Liga Portuguesa contra a Sida condena declarações

Para a Liga Portuguesa contra a Sida, é difícil acreditar na questão levantada por Francisco Chimoio. "Os números da sida estão a aumentar em África, mas temos dúvidas de que esta questão possa ser posta por alguém que, sendo católico, devia ter uma mensagem de esperança", disse ao PUBLICO.PT Maria Eugénia Saraiva, presidente da Liga Portuguesa contra a Sida.

A responsável frisou que desconhece o contexto das declarações da Francisco Chimoio, mas considera que a mensagem não é "nem positiva nem de prevenção, mas uma mensagem que assusta".

"Tem consequências para os que estão infectados e para os afectados — aqueles que têm relações com quem está infectado", disse Maria Eugénia Saraiva.

"Mensagens como esta são uma barreira. A liga não diz 'têm de usar preservativo', diz que o preservativo é a forma de prevenção, em termos contraceptivos, mais benéfica. Podemos não fazer sexo, mas isso é um fundamentalismo e os fundamentalismos não ajudam a prevenção", acrescentou.

Mais de 16 por cento da população moçambicana está infectada com o vírus do HIV, num país que regista 500 novos casos por dia.

A Liga Portuguesa contra a Sida desenvolve várias parcerias em Moçambique e noutros países africanos de língua oficial portuguesa, com centros de luta de apoio a infectados com o HIV e cursos de formação.

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Oh Sr Arcebispo!

Também o outro disse mais tarde que não que nãi tinha mandado correr à pedrada os técnicos do ...

manelovski

28.09.2007 14:11

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