A proibição imediata do uso de amianto na construção de edifícios públicos, nomeadamente escolas e centros de saúde, para prevenir eventuais efeitos cancerígenos, vai ser discutida amanhã pela Assembleia da República, por proposta do partido "Os Verdes".
Além disso, o partido propõe ainda o levantamento de todos os edifícios públicos com revestimentos de amianto, para proceder à sua gradual remoção e substituição por outra fibra.
A comunidade científica dá como certo que a inalação de fibras de amianto é perigosa para a saúde, podendo causar fibrose pulmonar, cancro do pulmão e mesotelioma (tumor maligno).
Sabe-se que o maior grupo de risco é constituído pelos profissionais que lidam com o amianto, nomeadamente mineiros e outros operários, e especula-se sobre as consequências para a saúde dos que diariamente habitam edifícios revestidos com fibras de amianto, nomeadamente alunos e professores de algumas escolas.
"Em Portugal não existem estatísticas, mas por exemplo em Espanha os dados oficiais indicam que morrem por ano 158 pessoas com mesotelioma, razão que levou os espanhóis a adoptar recentemente o princípio da precaução que já vigora na maioria dos países da Europa há muitos anos", disse a deputada do partido "Os Verdes", Isabel de Castro, à Lusa.
"Não nego que o amianto é uma substância tóxica cancerígena, mas só quando inalada em elevadas quantidades", disse o responsável pela Associação das Industrias de Produtos de Amianto Crisótilo (AIPA), João Toscano.
A AIPA reconhece ainda que "alguns trabalhadores" do sector tiveram doenças nos pulmões por causa dessa fibra, mas defende que "desde que sejam cumpridas as normas de segurança, que estabelecem limites de exposição, não existe risco para a saúde".


