Aprovada prescrição de medicamentos por princípio activo com abstenção do PCP

27.01.2012 - 14:24 Por Lusa
O Parlamento aprovou hoje uma proposta que inclui contributos do Governo, PS, PCP e BE e que consagra a prescrição de medicamentos por princípio activo, com o PCP a abster-se.
Após a votação, a deputada do PS Sónia Fertuzinhos anunciou a apresentação de uma declaração de voto. Na quinta-feira, no Parlamento, todas as bancadas parlamentares se congratularam pelo consenso alcançado sobre o diploma que determina a prescrição de medicamentos por princípio activo, mas a oposição lamentou que não tivesse sido possível “ir mais longe”.
O tema foi levado ao plenário da Assembleia da República pelo CDS-PP, com a deputada Teresa Caeiro a assinalar a aprovação em comissão do texto final do diploma do Governo que generaliza a prescrição de medicamentos por Denominação Comum Internacional (DCI), ou seja, pelo princípio activo e não pela marca comercial.
“A esmagadora maioria dos artigos foi aprovada por unanimidade”, salientou a deputada do CDS-PP, considerando que este é um exemplo de é que possível “encontrar consensos” e “um exemplo de enorme de maturidade democrática, que permitiu ultrapassar disputas partidárias a bem da população”. Assinalando os benefícios que a prescrição por princípio activo trará para os utentes, Teresa Caeiro sublinhou ainda a possibilidade de reforçar o aumento da quota de mercado dos genéricos, que actualmente ronda os 20%.
Na resposta à declaração política da deputada democrata-cristã, as bancadas parlamentares da oposição juntaram-se aos aplausos à aprovação do texto final do diploma que determina a prescrição de medicamentos por princípio activo, com o deputado do BE João Semedo a falar “no grande resultado alcançado”. Contudo, tanto o BE, como o PS e o PCP lamentaram que não tenha sido possível ir mais longe. “Esta é uma peninha no chapéu da política de saúde do Governo”, considerou o deputado do BE João Semedo.
Corroborando a bancada do BE, a deputada do PCP Paula Santos admitiu igualmente que o texto aprovado na comissão parlamentar de saúde constitui “um avanço”, embora se pudesse ter “ido muito mais além”. “Gostaríamos de ter ido mais além, mas foi o trabalho possível”, acrescentou o deputado socialista António Serrano, destacando também “o esforço meritório” de todos os partidos, que permitiu que a democracia saísse reforçada. Pelo PSD, o deputado Miguel Santos assinalou ainda a “significativa poupança” que os utentes poderão vir a sentir com a prescrição de medicamentos por princípio activo.
O Parlamento aprovou ainda a revogação do Código Florestal, proposta pelo PSD e o CDS, apenas com os votos contra do PS, e rejeitou os projectos de resolução do BE e do PEV para a requalificação da linha ferroviária Tua-Mirandela-Bragança.

