Valentim Loureiro apresentou ontem, na Procuradoria da República de Gondomar, um pedido para o afastamento do procurador-adjunto Carlos Teixeira, responsável pelo processo de corrupção no futebol Apito Dourado, avança hoje o "Jornal de Notícias".
Segundo o JN, o autarca de Gondomar considera que existe um "historial de más relações" e um "sentimento de inimizade" entre ambos, anterior ao Apito Dourado, que se iniciou em dois processos relacionados com a autarquia. Mas o principal argumento apresentado pelo advogado Amílcar Fernandes terá a ver com o facto de o magistrado ainda ter um processo pessoal pendente contra o arguido.
O JN explica que o caso remonta ao primeiro interrogatório judicial, a 23 de Abril de 2004, quando após ouvir os indícios que lhe foram imputados, Valentim Loureiro se exaltou com a insinuação de que José Luís Oliveira, ex-presidente do Gondomar SC e vice na autarquia, se moveria à vontade no mundo da arbitragem pelo facto de o major lhe garantir protecção.
Valentim Loureiro respondeu que "só alguém com ressentimento poderia proferir tal acusação" o que, escreve o JN, "foi entendido por Carlos Teixeira como um insulto, seguindo-se uma ameaça de julgamento sumário". O incidente passou a constar das certidões, sendo a 74ª e última do despacho final. Carlos Teixeira declarou desistir da queixa, alegando que lhe foram pedidas desculpas. Segundo o JN, "Valentim rejeita a ideia da desculpa e recusa aceitar a desistência da queixa".
Um processo pessoal pendente contra Valentim Loureiro pode constituir motivo "grave e sério", de acordo com a lei, que impede que Carlos Teixeira continue a actuar como representante do Ministério Público no Apito Dourado, no qual o autarca é acusado de 26 crimes de corrupção activa, em cumplicidade, e dois crimes de prevaricação.
Esta é já a segunda tentativa no último mês para afastar o magistrado titular do processo. O primeiro pedido de recusa foi apresentado por Pinto da Costa, rejeitado ontem pelo procurador-geral de Gondomar.


