Apito Dourado: Inspector da PJ queixa-se de falta de meios no combate à corrupção

28.02.2008 - 13:39 Por Mariana Oliveira
O inspector da Polícia Judiciária, Alberto Lourenço, ouvido hoje no Tribunal de Gondomar como testemunha do processo principal do Apito Dourado, queixou-se da falta de meios para combater a corrupção na instituição. Pressionado por vários advogados de defesa a precisar os supostos erros dos árbitros para prejudicar as equipas que jogaram contra o Gondomar nos dois jogos que assistiu na época de 2003/2004, o inspector acabou por repetir que não era perito em arbitragem e que não tinham sido feitas filmagens das partidas porque a polícia não tinha meios adequados para tal.
“Nos casos de corrupção temos dificuldade de trabalhar com os meios que temos”, afirmou Alberto Lourenço. Em causa está a prova que a acusação necessita de fazer de que os árbitros que os dirigentes do Gondomar Sport Club pediram aos membros do Conselho de Arbitragem para nomear favoreceram efectivamente a equipa. Como não foram feitas filmagens dos jogos, a PJ pôs inspectores a assistirem às partidas e apreendeu depois vídeos gravados pelos próprios clubes, que depois foram analisados por peritos.
Contudo, um dos advogados de defesa já interpôs um requerimento a pedir que a análise destes especialistas não fosse considerada já que, segundo sustenta, os vídeos contém diversas limitações e não permitem retirar conclusões objectivas. Em alternativa o advogado solicita que as cassetes sejam visualizadas em tribunal e que os testemunhos dos peritos sejam feitos nessa altura.
O inspector Alberto Lourenço admitiu ainda que só registou no relatório que fez as situações que favoreceram o Gondomar, ignorando as em que o clube foi prejudicado. A afirmação deu origem à indignação do advogado Carlos Duarte, advogado de dois árbitros, que insistiu que só com um quadro global do comportamento dos árbitros é que se poderia analisar as suas actuações. De manhã foi ainda ouvido outro inspector da PJ que já não se recordava da grande maioria dos factos. Para a tarde está prevista a audição dos dois ourives que vendiam as peças de ouro que o Gondomar oferecia aos árbitros.

