Uma mega falha energética deixou ontem ao início da noite dezenas de milhões de brasileiros sem electricidade nas duas maiores cidades do país – São Paulo e Rio de Janeiro – devido a problemas de transmissão na rede de cabos que ligam à enorme barragem de Itaipu. Outras cidades mais pequenas em pelo menos outros quatro estados do Brasil foram igualmente afectadas assim como o vizinho Paraguai, que recebe dali a maior parte da sua energia.
Ao fim de três horas de apagão, a energia começou a ser restabelecida na capital financeira do Brasil, mas muito da enorme metrópole – a maior cidade de toda a América do Sul – continuou às escuras durante muito mais tempo. As entidades oficiais contavam que a energia fosse totalmente restabelecida ainda antes da manhã de hoje (hora local).
Ontem, o caos instalou-se nas ruas de São Paulo, com milhares de passageiros da rede de metropolitano a terem de abandonar as carruagens paradas nas linhas e a verem-se forçados a caminhar ao longo dos túneis para regressar à superfície. As mesmas cenas repetiram-se no Rio de Janeiro, centro turístico por excelência e que deverá acolher o campeonato do mundo de futebol daqui a cinco anos e os Jogos Olímpicos em 2016.
Não houve qualquer interferência com o movimento aéreo, nem em São Paulo nem no Rio de Janeiro, continuando os voos a sair e chegar aos aeroportos, mas muitos passageiros acabaram por ficar retidos, sobretudo no Rio, porque os motoristas de táxi se recusavam a conduzir no escuro pela cidade, onde se multiplicam as zonas de intensa criminalidade.
Os primeiros relatórios explicam que a falha teve origem na própria barragem, uma construção colossal que se estende na fronteira entre o Brasil e o Paraguai, mas o operador de Itaipu – a segunda maior central hidroeléctrica do mundo – veio mais tarde sustentar que o apagão se deveu antes a problemas da rede de distribuição de energia. A barragem de Itaipu fornece 20 por cento da energia consumida no Brasil e mais de 90 por cento no Paraguai.
“A hipótese mais provável é que tenha havido um qualquer acidente que afectou um ou mais pontos da cadeia de transmissão. E este acidente por sua vez causou outros, num fenómeno que conhecemos como efeito de dominó", apontava o comunicado da empresa que opera a barragem. Os geradores de Itaipu não deixaram de funcionar durante todo o tempo do apagão, mas não conseguiram passar a energia produzida para a rede de distribuição, explicava ainda o comunicado.
O ministro brasileiro da Energia, Edison Lobão, avançou que permanece por identificar a causa exacta desta falha, apontando porém que alguns “problemas atmosféricos, uma tempestade intensa, podem ter contribuído ou provocado o ‘fecho’ das linhas de distribuição de Itaipu”.



