António Vitorino estima que a crise vai afectar ainda mais fluxos migratórios

12.07.2010 - 20:20 Por Lusa
Nos próximos anos, os fluxos migratórios irão ressentir-se ainda mais com a crise, estimou hoje António Vitorino, coordenador do Fórum para as Migrações da Fundação Gulbenkian.
“A crise atingiu as comunidades imigrantes, de uma maneira geral, de uma forma mais dura do que as comunidades nativas dos países”, comentou António Vitorino, referindo-se aos dados hoje divulgados pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) que mostram que a migração internacional tem caído durante a actual crise económica.
Segundo António Vitorino, - falando à margem da conferência “Actualização sobre as políticas migratórias nos Estados Unidos e na Europa”, organizada pela Fundação Luso-Americana - quando a crise atinge os imigrantes e os coloca numa situação de desemprego, coloca-os também na dependência de um sistema de assistência social que tem sempre um limite no tempo.
“Naturalmente que, quando chegarem ao fim esses benefícios sociais excepcionais a que os imigrantes têm direito, eles poderão ficar numa situação muito difícil e eventualmente até não verem as suas autorizações de permanência renovadas e, consequentemente, poderemos estar perante uma pressão adicional para a imigração ilegal de pessoas que tendo estado nos nossos países de forma legal, em virtude da crise passaram a ter um estatuto de ilegalidade”, exemplificou.
Por outro lado, apontou que os imigrantes trabalham normalmente em “sectores que são mais vulneráveis do ponto de vista do impacto imediato da crise económica”.
“É importante uma retoma económica para que se recrie um horizonte de esperança e para que as pessoas todas tenham uma oportunidade de trabalhar”, defendeu.
Especificamente em relação a Portugal, e a um possível aumento de saídas voluntárias de imigrantes provocadas pela crise económica, António Vitorino disse não ter dados oficiais sobre essa matéria, mas apenas uma percepção pessoal. “[Acho que] não tem havido aumento significativo de retorno voluntário. Tem sido marginal. Há casos onde o retorno é determinado pelo efeito da crise, mas não creio que se possa falar em grandes números nesta matéria”, rematou.

