O ministro da Administração Interna afirmou hoje que Portugal só agora pediu ajuda à União Europeia para combater os incêndios porque a situação assim o exigiu, considerando que é preciso ser "comedido" no accionamento destes mecanismos.
"Ontem pela primeira vez tivemos um número anómalo de fogos não circunscritos que nos levou a accionar os mecanismos de auxílio internacional", explicou António Costa aos jornalistas, depois de ter assistido, juntamente com o presidente da República, ao "briefing" diário do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil.
O ministro frisou ainda que "temos de ser muito comedidos no accionamento destes mecanismos de solidariedade da UE, porque não são meios permanentes".
"Sabemos que entre o momento em que pedimos e o momento em que podem actuar distam dois ou três dias. Por isso, temos de solicitá-los em situações muito específicas e em que temos a certeza absoluta da sua estrita necessidade", justificou o ministro, comentando que é como a história "Pedro e o Lobo".
"Nós não podemos estar sempre a gritar que há lobo porque depois quando ele existe mesmo as pessoas poderão não ter condições para nos disponibilizar os meios", acrescentou.
António Costa adiantou que, apesar de já ter havido dias com grandes picos de incêndios, não houve necessidade de accionar o mecanismo de solidariedade multilateral da União Europeia.
"O dia de maior ignições de todo o ano foi o dia 11 de Julho, mas foi um dia que, apesar de haver um elevadíssimo número de incêndios, foi possível com os meios existentes actuar e controlar a situação", o que não aconteceu no ontem, explicou.
Segundo o ministro, os meios aéreos disponibilizados pela França, Alemanha e Itália começarão a estar disponíveis para actuar no terreno a partir de amanhã.
No entanto, ressalvou, esses meios não virão para a totalidade da época de incêndios, mas "para esta fase mais complicada e até que se restabeleça a situação".
Falta de meios humanos
António Costa adiantou ainda que a maior carência actualmente no combate aos fogos são os meios humanos, afirmando que "o efectivo está esticado até ao limite".
"Hoje reencontrei na Pampilhosa da Serra bombeiros da Região de Lisboa que já lá estavam na quarta-feira quando eu lá fui e que estão num estado de absoluto esgotamento e que precisam de ser rendidos", salientou.
Para isso, é necessário que haja mais voluntários disponíveis para o combate ao fogo, sustentou, fazendo o mesmo apelo às entidades patronais que fez o presidente da República para libertarem os trabalhadores que são bombeiros.
Segundo dados divulgado hoje no Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil, foram registados este ano 26.293 incêndios, mais 75 por cento do que em 2002 e 2004.
De 1 de Janeiro a 14 de Agosto, arderam 114.517 hectares de floresta, dos quais 8 por cento foram de floresta pública.
Esta situação levou Jorge Sampaio a afirmar que, se não houver intervenção na floresta privada, não haverá solução para este flagelo.
Um elemento do SNBPC afirmou, por seu turno, que é "muito difícil encontrar os proprietários da floresta privada".
O presidente da Alta Autoridade para os Incêndios, Ferreira do Amaral, criticou ainda o facto de haver registo de 108 pessoas detidos por suspeita de fogo posto e apenas 16 se encontrarem em prisão preventiva.
"Esta situação pode provocar frustração nas forças que estão no terreno", salientou Ferreira do Amaral durante o "briefing".


