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Aponta bastonário

Antibióticos na alimentação do animal causam resistências nos humanos

06.11.2009 - 11:32

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Pedro Nunes exemplifica o perido do uso de antibióticos nos animais com a polémica dos frangos com excesso de nitrofuranos há uns anos Pedro Nunes exemplifica o perido do uso de antibióticos nos animais com a polémica dos frangos com excesso de nitrofuranos há uns anos (Daniel Rocha (arquivo))
O Bastonário da Ordem dos Médicos considerou hoje que o uso de antibióticos na alimentação do gado contribui muito mais para a resistência humana a antibióticos do que a prescrição destes medicamentos por clínicos. Pedro Nunes respondia assim ao relatório do Centro Europeua de Prevenção e Controlo de Doenças, que classifica Portugal como o sexto país da Europa onde mais antibióticos se tomam indevidamente.

“A utilização dos antibióticos na alimentação animal é muitíssimo mais causa das resistências aos antibióticos do que a utilização em humanos”, considerou o bastonário. Segundo Pedro Nunes “é uma hipocrisia estar a relacionar a questão da resistência apenas com isto”.

A lista do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC, em inglês) coloca os países do sul da Europa no topo dos que mais consomem antibióticos indevidamente e, por isso, têm mais bactérias resistentes aos medicamentos. Na lista do ECDC, Grécia e Chipre são os líderes e Portugal está no sexto lugar.

“A questão da resistência tem a ver com outras coisas bem mais graves, nomeadamente com a utilização de antibióticos na criação de gado. E isso é que essa Europa da Agricultura não se atreve a dizer”, considerou. Pedro Nunes exemplificou com a polémica dos frangos com excesso de nitrofuranos que há uns anos abalou o sector de venda de aves para consumo. “Os nitrofuranos são antibióticos que se usaram para o tratamento das infecções urinárias e que já não se usam porque os colibacilos das infecções urinárias são todos resistentes aos nitrofuranos, porque começaram a ser usados nos frangos”, explicou.

Para explicar o fenómeno de em Portugal se tomarem mais antibióticos do que noutros países, o bastonário não descarta a responsabilidade dos médicos, mas considera que há uma contribuição de fenómenos como o acesso das pessoas à medicina. “Se um doente vai ao médico e se este souber que no dia seguinte ele pode voltar lá, é capaz de não lhe receitar medicamento nenhum, mas se sabe que naquele centro de saúde o doente, para ter uma consulta, tem de ir para lá às cinco da manhã ou que não há facilmente consultas é natural que, de uma forma profilática, lhe receite logo o antibiótico, porque não conseguirá depois acompanhar a situação”, salientou.

Outro fenómeno é a própria cultura da população: “os portugueses mais depressa tomam um antibiótico, mesmo sem receita médica, porque têm medo de ter uma pneumonia ou assim, do que populações mais cultas do Norte da Europa”, disse. Também importante, segundo Pedro Nunes, é a facilidade de venda de medicamentos sem receita médica em Portugal. “Na Alemanha, por exemplo, é impensável que vendam um medicamento sem receita médica. Em Portugal, de uma forma geral, há casos em que o farmacêutico recusa, mas há muitos casos em que, por exemplo, o auxiliar de farmácia lhe vende o medicamento sem receita”, afirmou.

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