Anadia: PSD quer que Governo esclareça e investigue circunstâncias da morte do bebé

18.01.2008 - 17:43 Por Lusa
O PSD exigiu hoje ao Governo que explique e investigue as circunstâncias em que morreu um bebé na Anadia, alegadamente devido a dificuldades no atendimento médico prestado pelo INEM. O PCP, perante as últimas polémicas relacionadas com o fecho das urgências, exigirá também a presença do ministro da Saúde, Correia de Campos, no Parlamento.
Num requerimento enviado ao presidente da Assembleia da República, assinado pelo deputado José Manuel Ribeiro, os social-democratas recordam o caso da criança de três meses que hoje de manhã morreu na sequência de uma paragem cardio-respiratória.
De acordo com o deputado eleito pelo círculo do Porto, que cita "testemunhas oculares", os pais da criança ligaram para o INEM, que teve inúmeras dificuldades em localizá-los, tendo-lhes pedido para se dirigirem às imediações do Hospital da Anadia (Hospital José Luciano de Castro).
Nesse local, encontrava-se uma equipa de técnicos que, não sendo médicos nem enfermeiros, prestaram os primeiros-socorros à criança até à chegada de meios competentes.
Segundo José Manuel Ribeiro, passou-se mais de uma hora desde que foi feito o pedido de auxílio até que chegasse a viatura médica de emergência e reanimação (VMER).
O deputado cita também no requerimento outras teorias que apontam para que a criança tenha morrido no caminho entre o Hospital de Anadia e o Hospital Pediátrico de Coimbra.
Perante este cenário de dúvida, o deputado do PSD questionou o Governo sobre se vai abrir um inquérito que "de forma séria, transparente e rigorosa" apure as circunstâncias e responsabilidades do caso. Por outro lado, perguntou ao Governo, através do Ministro da Saúde, se estará disposto a reavaliar a sua decisão de fechar o Serviço de Urgência do Hospital de Anadia.
PCP pede audição urgente de Correia de Campos no Parlamento
O grupo parlamentar do PCP vai usar um agendamento potestativo para forçar o ministro da Saúde, Correia de Campos, a ir ao Parlamento dar explicações sobre o encerramento de urgências que considera estar a provocar "alarme social". O agendamento potestativo é uma cláusula que permite aos partidos impor uma iniciativa parlamentar, mesmo sem aprovação da maioria.
O líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares, argumentou que "há várias semanas" que os partidos tentam agendar a reunião com o ministro Correia de Campos na comissão de saúde "esbarrando com incompreensíveis dificuldades".
"Ora, a situação actual, de alarme social e profunda preocupação popular, bem expressa nas enormes manifestações e protestos um pouco por todo o país, não permite que continue a estar arredada da Assembleia da República a fiscalização desta desastrosa política", defendeu o PCP.
Em carta dirigida à presidente da comissão de Saúde, a socialista Maria de Belém Roseira, Bernardino Soares solicitou a "máxima urgência" para a audição ao ministro da Saúde, que, por ser potestativa, será obrigatoriamente aprovada.
O PCP sublinhou que "continuam a suceder-se episódios, alguns nos últimos dias da maior gravidade, relacionados com a alteração da rede de urgências".
"É preciso que se efective a denúncia das consequências das graves decisões do Governo nesta matéria, a tempo de uma correcção de uma política que é feita contra as populações e contra o desenvolvimento do país", considerou.

