Ana Salgado considera estar a ser “bode expiatório” de “Apito Dourado fracassado”

30.10.2009 - 19:53 Por Lusa
Ana Salgado afirmou hoje que considera estar a ser o “bode expiatório” do “Apito Dourado fracassado”, depois de o Ministério Público ter pedido a sua condenação por alegadamente ter difamado a procuradora Maria José Morgado.
“Sinto-me um bode expiatório do Apito Dourado que fracassou. Tem de haver um culpado e estou a ser eu”, desabafou a irmã da antiga companheira de Pinto da Costa, Carolina Salgado, no final da sessão de hoje do julgamento a decorrer no Tribunal de São João Novo no qual Ana Salgado é acusada de difamação à procuradora-geral adjunta Maria José Morgado.
Ana Salgado é também acusada de difamação do ex-inspector da PJ Sérgio Bagulho no seguimento de um depoimento que aquela terá prestado em Junho de 2007 no Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) do Porto.
A arguida terá então acusado os dois membros da Equipa de Coordenação do Processo ‘Apito Dourado’ (ECPAD) de combinarem depoimentos com Carolina Salgado e de intervirem no livro ‘Eu, Carolina’, juntamente com Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica.
Nas alegações finais de hoje o procurador do MP salientou que a arguida não conseguiu provar a verdade dos seus depoimentos, frisando que “não basta afirmar, é preciso provar que o que se afirma é verdade”.
“Chegamos à conclusão que se por um lado a arguida não conseguiu provar o que disse, por outro lado a prova produzida (pelo depoimento de testemunhas) vai no sentido contrário ao que aquela havia proferido nas declarações (ao DIAP)”, acrescentou.
O Ministério Público alegou ainda que Maria José Morgado “dirigia uma equipa formada pelo próprio procurador-geral da República”, sendo que “não se concebe que a magistrada pudesse ter comportamentos menos correctos”.
Quanto ao inspector Sérgio Bagulho, o procurador lembrou que este se “limitou a fazer o que lhe era determinado” pela procuradora, e sempre “com isenção”.
Por outro lado, “ficou demonstrado que a equipa (ECPAD) nunca poderia ter tido qualquer influência” (no livro Eu, Carolina) porque “nem sequer estava constituída” na altura em que foi editado (Dezembro 2006).
Também a advogada do inspector Sérgio Bagulho pediu a condenação da arguida Ana Salgado, alegando que a “difamação de que foi alvo ofendeu a sua honra e consideração”. A mandatária pediu ainda que fosse julgado procedente o pedido de indemnização de 10 mil euros, apresentado pelo inspector.
Já a defesa de Ana Salgado pediu a sua absolvição nos dois crimes de difamação de que está acusada, já que as declarações prestadas pela arguida sobre Maria José Morgado, e que fazem parte da acusação, “não são susceptíveis de a ofender”.
O mandatário Pedro Venâncio acrescentou que no caso de Sérgio Bagulho “fica a dúvida” sobre se os factos narrados por Ana Salgado são ou não verdadeiros , devendo o colectivo presidido pela juíza Manuela Trocado “acreditar na arguida” que narrou factos contados pela irmã Carolina.
A leitura do acórdão ficou marcada para 13 de Novembro pelas 15:00 na terceira vara do Tribunal de São João Novo.

