A ministra da Saúde afirmou hoje não conhecer o caso da menor violada ontem que teve que esperar doze horas para ser examinada por um médico especialista do Instituto de Medicina Legal, mas Ana Jorge admitiu é necessária uma “articulação” entre os serviços de saúde e a medicina legal para evitar situações como esta.
"Não posso comentar porque não conhecia a situação. Mas o que posso dizer é que a articulação entre o Ministério da Saúde e a medicina legal terá de ser feita. Existe essa relação mas, provavelmente, terá de se melhorar a conversa com a medicina legal", disse Ana Jorge, à margem da participação na cerimónia de celebração dos 210 anos do Hospital de Santo António.
A ministra da Saúde comentava o caso noticiado hoje pela RTP e pela SIC sobre uma menor de 17 anos que terá sido violada e se deslocou ao Hospital de Santa Maria, em Lisboa, na noite passada, mas a quem foi pedido que esperasse até às 08h00 de hoje, sem tomar banho, lavar os dentes ou beber água para não apagar possíveis vestígios, porque não havia peritos para a examinar.
O director do Instituto de Medicina Legal (IML), Duarte Nuno Vieira, avançou, em reacção a este caso, que em Agosto, apenas três dos seis médicos que compõem a delegação sul do IML estão a trabalhar, já que os restantes se encontram em férias. Esta situação impede, por exemplo, que sejam feitas peritagens nas noites de segunda a quinta-feira durante o mês de Agosto.
Duarte Nuno Vieira explicou em declarações à agência Lusa que as escalas para casos urgentes funcionam habitualmente 24 horas por dia todo o ano, mas a falta de técnicos e o período de férias durante este mês obrigaram à suspensão do serviço nocturno, algo que foi comunicado a todas as autoridades e ao Ministério da Saúde.
À acusação de falta de meios, o Ministério da Justiça, que tutela o IML, respondeu com o anúncio de que o número de peritos em medicina legal irá duplicar no próximo ano, com a entrada ao serviço de mais 32 internos.


