A ministra da Saúde, Ana Jorge, manifestou hoje preocupação com a forma como estão a ser acompanhados os idosos que são operados aos olhos em Cuba e desafiou as autarquias que os levam a propor semelhante intervenção no sector social português.
À margem da Cúpula Ibero Americana de Medicina Familiar, que decorre em Fortaleza, no Brasil, Ana Jorge escusou-se a comentar as críticas do líder do CDS-PP, Paulo Portas, que acusou a ministra de "inércia", por não contratualizar com o sector social em Portugal as operações oftalmológicas a idosos para evitar a "moda" de serem enviados para Cuba. "Não vou comentar as críticas, mas faço uma pergunta: por que é que as autarquias não procuraram os hospitais portugueses para lhes propor um modelo de contratualização?", disse.
A ministra reconheceu que a oftalmologia é uma área que preocupa o executivo, dado o elevado número de utentes em lista de espera para consulta e cirurgia. Em Março, Ana Jorge disse no Parlamento que, do quase meio milhão de portugueses que aguarda uma primeira consulta hospitalar, 120 mil esperam por uma consulta de oftalmologia, tempos que a ministra da Saúde considerou "inaceitáveis".
Sobre a ida de idosos a Cuba, Ana Jorge disse que este é um país com fama de grande capacidade de resposta em áreas como a oftalmologia, mas manifestou preocupação com a forma como estes cidadãos estão a ser acompanhados. "Não sabemos como estão a ser acompanhados posteriormente estes idosos e isso preocupa-nos", disse.
Quase 30 mil idosos à espera de cirurgia às cataratas
A ministra acredita que as propostas de um grupo de peritos que estão a ser estudadas para responder ao problema da oftalmologia em Portugal irão resolver a situação. Segundo Paulo Portas, "há 29 mil doentes, sobretudo idosos", em lista de espera para uma operação às cataratas, "às vezes, superior a um ano". "É bom que os portugueses saibam que existem 15 hospitais das misericórdias em Portugal com capacidade, ao nível médico e de equipamentos, para fazer cirurgias", garantiu o presidente da CDS-PP.
Segundo Paulo Portas, os hospitais das misericórdias têm capacidade para realizar "três mil cirurgias por mês, ao mesmo preço que o Estado já paga quando desloca para o sector privado".
Além do Alandroal, município que já enviou para Cuba 14 idosos com doenças oftalmológicas, a câmara de Santarém assinou esta semana um protocolo com os Serviços Médicos Cubanos que permitirá a idosos carenciados do concelho serem tratados naquele país.


