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Amor: cria dependência como uma droga, mas sabe bem como o chocolate

14.02.2011 - 10:55 Por Nicolau Ferreira

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 (Ilustração: Bárbara Fonseca)
A maravilhosa máquina cerebral destrói a mitologia do amor? Ainda não, talvez nunca. Mas já se sabe muito: as regiões activadas quando vemos a pessoa de quem gostamos ou os químicos libertados. E é tudo verdade: o estômago apertado, o coração acelerado, o vício, a intensidade do primeiro ano de relação. O amor é a droga. E hoje é Dia dos Namorados.

A base neurológica do amor romântico é o título insosso de um artigo científico publicado em 2000, que se propunha pela primeira vez olhar para o cérebro de 17 pessoas e ver quais as áreas que ficavam luminosas perantefotografias dos seus amados. Os investigadores Andreas Bartels e Semir Zekl, que na altura trabalhavam na University College de Londres, escolheram voluntários que diziam estar "verdadeiramente, profundamente, loucamente apaixonados" por alguém e resolveram submetê-los a uma máquina que forma imagens tridimensionais do cérebro por ressonância magnética.

Os observados eram analisados enquanto viam fotografias dos seus mais-que-tudo que iam passando entre fotografias de amigos do mesmo sexo que o/a companheiro/a. No cérebro, a afluência especial de oxigénio a determinadas regiões era registada pela máquina e denunciava pela primeira vez as redes complexas associadas ao amor e que permitem alguém dizer palavras como "verdadeiramente", "profundamente" ou "loucamente" num contexto piroso, mas completamente justificável com um "deixa lá, ele/ela está apaixonado/a".

Sabe-se hoje que existem 12 regiões do cérebro que são recrutadas quando pensamos na pessoa que amamos. Stephanie Ortigue, uma investigadora da Universidade de Siracusa, nos Estados Unidos, analisou com colegas a escassa bibliografia sobre a detecção destas regiões e verificou que existem diferenças quando se sente o amor de paixão, e quando se sente o amor incondicional (o sentimento que se tem relativo a pessoas doentes, por exemplo) e o amor maternal.

Apesar de todos facilitarem a criação de ligações entre pessoas, existem algumas áreas exclusivas no caso do sentimento celebrado no Dia de São Valentim (hoje, portanto), como a área tegmentar ventral e o núcleo caudado. A primeira está associada aos sentimentos de prazer e de ligação com o par, e o segundo à representação de objectivos,àdetecção de eventuais recompensas e expectativas, e ainda à preparação para agir em determinado sentido, explica o artigo da investigadora, publicado no ano passado na revista Journal of Sexual Medicine.

As imagens por ressonância magnética mostram que o amor é complexo. "Apesar de muitas teorias da emoção terem incluído o amor como uma emoção básica, é mais do que isso", disse Ortigue, citada pelo jornal britânico The Independent. "O amor inclui emoções básicas e emoções complexas, motivações direccionadas para objectivos, imagens do corpo, cognição e apreciação."

Não à dor, sim ao vício

A ligação do amor à dor é um dos lados dessa complexidade. Se a dor dos amantes pode ser uma obsessão poética (ou real - há gente que se mata por amor), também há o inverso, já que o amor pode ajudar a suprimir ou atenuar a dor.

Algumas áreas cerebrais descritas por Stephanie Ortigue são centros importantes que reagem à dopamina, um neurotransmissor (uma molécula libertada no cérebro que certas regiões de neurónios estão preparadas para reconhecer, desencadeando reacções) que está associado ao prazer.

Uma equipa de investigadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, percebeu que os circuitos activados no cérebro quando estamos apaixonados têm semelhanças com os activados quando sentimos dor e tentou perceber se existe uma ligação entre eles.

A equipa dos Estados Unidos pegou em voluntários que estavam a namorar há menos de um ano e procurou perceber o que é que a observação de fotografias dos parceiros fazia quando sentiam uma dor causada por uma madeira aquecida que os cientistas lhes colocavam na mão.

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Mais interessante que o...

..Amor entre os Humanos, é o Amor que os vegetais, plantas, tem uns aos outros, aos animais e a ...

Abu Lixa

14.02.2011 14:20

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