Ambientalistas pedem avanços no cumprimento da convenção sobre bacias hidrográficas

18.01.2008 - 11:36 Por Lusa, PUBLICO.PT
A quantidade e a qualidade da água doce que chega a Portugal vinda de Espanha ainda têm questões por resolver, quase oito anos depois da entrada em vigor da Convenção de Albufeira, documento regulador entre os dois países. Três associações ambientalistas portuguesas esperam que a Cimeira Luso-Espanhola, de 18 a 19 deste mês, “traga avanços” no cumprimento do documento.
O repto foi lançado num comunicado conjunto assinado pelo Grupo de Estudos do Ordenamento do Território e Ambiente (Geota), Liga para a Protecção da Natureza (LPN) e Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza.
As associações pedem “maior rapidez e eficácia “ na concretização do que está escrito na Convenção sobre Cooperação para a Protecção e o Aproveitamento Sustentável das Águas das Bacias Hidrográficas Luso-Espanholas (Convenção de Albufeira).
Para as associações é necessário definir os caudais ecológicos, para garantir os caudais mínimos para a manutenção dos ecossistemas. “Portugal encontra-se a jusante de Espanha no que respeita aos rios internacionais e acarreta as consequências do que é decidido para os locais a montante”, lembra o comunicado.
Paula Chainho, vice-presidente da LPN, disse à Lusa que os caudais ecológicos devem ser mensais. "A Convenção apenas define um regime sazonal para o Guadiana e um regime de excepção em caso de seca", ressalvou.
Para os ambientalistas, um regime de caudais mensais iria assegurar a "sobrevivência dos ecossistemas aquáticos" e as "necessidades de produção de energia eléctrica". Paula Chainho exemplificou que a libertação de caudais "torrenciais" no Inverno e "nulos" no Verão pode "afectar o ciclo de vida das espécies".
Além da quantidade de água que chega a Portugal, os ambientalistas pedem mais acção quanto à qualidade dessa água. A meta exigida pela Directiva-Quadro da Água é conseguir o bom estado ecológico de todas as massas de água até 2015.
“Até ao momento, desconhecem-se as diligências tomadas por Portugal e Espanha” sobre a matéria, “numa altura em que o calendário de implementação da Directiva-Quadro exige uma consulta pública (que ainda não foi iniciada em Portugal)” sobre a gestão da água em cada bacia hidrográfica.
Além disso, as associações pedem uma maior “transparência do processo de negociação” entre os dois países, através da “partilha de informação” e da “comunicação ao público”.
A 23ª Cimeira Luso-Espanhola vai realizar-se este mês em Braga e conta com a presença de ministros e entidades portuguesas e espanholas que vão discutir estratégias comuns e aprofundar relações bilaterais.

