Ambientalistas opõem-se a projecto PIN nas margens da albufeira

11.09.2007 - 15:15 Por Paulo Miguel Madeira
O complexo turístico Parque Alqueva, do empresário José Roquette, foi classificado pelo Governo como projecto PIN (Potencial Interesse Nacional). O Plano de Ordenamento das Albufeiras de Alqueva e Pedrógão (POAAP), que impedia a construção a menos de 500 metros da margem da albufeira, foi mesmo alterado para acomodar este investimento.
Há mais projectos turísticos para a área, mas este é emblemático. O presidente da Liga para a Protecção da Natureza (LPN), Eugénio Sequeira, disse ao Diário de Notícias que os projectos para o Alqueva terão capacidade para 260 mil camas, o que “é demais”. E a Quercus diz que as pretensões de urbanização em toda a envolvente da Albufeira não estão acauteladas.
O Parque Alqueva prevê ocupar uma área um pouco superior a 2000 hectares e uma capacidade de 17 mil camas, para o que conta com um investimento de cerca de mil milhões de euros. Deverá criar cerca de dois mil postos de trabalho directos.
Fica em três grandes herdades separadas entre si, abrangendo áreas de montado de azinho. A que mais frente tem para a albufeira terá campo de golfe, porto de recreio, embarcadouros e aldeamentos turísticos. O arranque da obra está previsto para Fevereiro.
A Liga para a Protecção da Natureza (LPN) e a Quercus deram parecer negativo ao Plano de Pormenor do Parque Alqueva (PPPA), cuja fase de discussão pública terminou no final de Agosto.
Ambas levantam reservas às grandes quantidades de água necessárias para os campos de golfe e a LPN diz mesmo que a qualidade da água não está assegurada e salienta os riscos de salinização dos solos.
Por seu lado, a Quercus diz que, quando “todos os cenários apontam para graves carências” de água a médio e longo prazo, sobretudo a sul do Tejo, as grandes quantidades de água necessárias para irrigar os campos de golfe levam a considerar esta actividade desportiva “nem estratégica nem fundamental ao futuro desenvolvimento da região”. A Quercus diz também que as medidas de minimização de impacto ambiental anunciadas são “interessantes e mesmo inovadoras a nível nacional”, mas “insuficientes” face à elevada carga humana prevista.

