Inquérito revela um quarto de idosos no Alentejo vítima de violência psicológica

25.02.2012 - 13:12 Por Lusa
Quase um quarto dos idosos do Alentejo inquiridos no âmbito de um estudo sobre a sua funcionalidade referiu ter sido vítima de violência doméstica, ao nível psicológico, no último ano, revelou hoje, em Évora, o especialista que conduziu este estudo.
“A violência psicológica atinge valores muito expressivos e é referida por 23,8 por cento dos idosos”, adiantou à Lusa Manuel Lopes, docente da Escola Superior de Enfermagem S. João de Deus, da Universidade de Évora.
Este é um dos “dados parcelares” de uma investigação em curso, divulgado no debate “Um Olhar sobre a Violência Doméstica no Alentejo”, promovido pela Rede de Intervenção Integrada do Distrito de Évora contra a Violência Doméstica (RIIDE).
À margem do debate, o investigador Manuel Lopes, membro da RIIDE e do Centro de Investigação em Ciências e Tecnologias da Saúde da academia alentejana, referiu à Lusa que a violência doméstica é uma das vertentes do estudo sobre a funcionalidade dos idosos no Alentejo.
Globalmente, o estudo tem uma amostra de 1.200 pessoas, acima dos 65 anos, distribuídas pela região alentejana, estando ainda os dados a ser tratados.
“Estão tratados resultados que equivalem a uma amostra de 760 idosos, o que já é significativo”, disse.
No que respeita à violência doméstica, “há alguns elementos muito curiosos”, frisou, exemplificando com os dados sobre a violência psicológica.
“Quase um quarto da população idosa considera que, algures, ao longo do último ano, sofreu violência psicológica”, o que “está ligeiramente acima da média dos países europeus”, voltou a destacar.
Ao mesmo tempo, 3,8 por cento das pessoas refere que sofreu violência física. A média europeia é 2,7 por cento e a média nacional, 2,8 por cento.
“E temos mais 6,8 por cento das pessoas que diz ter sofrido violência financeira e 2,3 por cento que refere que sofreu violência sexual”, referiu ainda o investigador.
Contudo, Manuel Lopes disse não acreditar que “o Alentejo tenha razões particulares para ter médias mais elevadas” do que o país ou a Europa.
A metodologia de entrevistas aplicada é que foi diferente, porque habitualmente os inquéritos são feitos por telefone e por pessoas que os inquiridos não conhecem. Neste caso as entrevistas foram feitas pessoalmente.
“É um assunto melindroso e que causa vergonha e termos feito entrevistas directas foi muito importante. A entrevista foi num ambiente em que as pessoas se sentiam protegidas, só elas e o entrevistador, que era um profissional de saúde que conheciam, e estavam mais à vontade”, frisou.
O relatório final deste estudo, financiado pela Direcção-Geral de Saúde, deverá ser entregue até Junho.

