Alegado traficante de droga morre em perseguição da GNR

28.10.2009 - 09:12 Por Adelino Gomes, Mariana Oliveira
Um alegado traficante de droga terá sido ontem morto a tiro em Famalicão após uma operação de detenção levada a cabo pela GNR. Este homem, de 57 anos, residente em Monte de Fralães, Barcelos, era o principal suspeito de um grupo ligado ao tráfico de droga que estava a ser investigado há perto de quatro meses pelas autoridades policiais.
O incidente ocorreu cerca das 11h na Avenida do Brasil, em Vila Nova de Famalicão, depois de a vítima, supostamente, ter acabado de vender droga a um outro indivíduo. A transacção terá sido efectuada no interior de um automóvel, na Estrada Nacional n.º 206, próximo de uma das entradas naquela cidade, quando os movimentos de ambos estavam a ser vigiados pela GNR, que tentava uma detenção em flagrante.
O comandante do Grupo Territorial da GNR de Braga, tenente-coronel Barros Gonçalves, disse ao PÚBLICO que os dois indivíduos "não acataram a ordem de detenção" e que terão tentado ultrapassar a barreira policial, o que originou a perseguição. As autoridades abriram fogo sobre o veículo, atingindo o homem de 57 anos e causando um despiste. A vítima foi assistida pelo INEM e foi depois transportada para o hospital pelos Bombeiros Voluntários de Famalicão.
"A equipa socorreu uma pessoa do sexo masculino baleada na zona do tórax, que se encontrava em paragem cárdio-respiratória", confirmou uma fonte do INEM, acrescentando que foram feitas manobras de reanimação e que o "doente foi entubado e ventilado". A vítima entrou no Hospital de S. João de Deus, em Famalicão, às 11h15, tendo sido registado o seu óbito vinte minutos depois.
O segundo ocupante da viatura foi também conduzido ao mesmo hospital, tendo sofrido apenas ferimentos ligeiros. O INEM assistiu ainda no local um terceiro homem, de 25 anos, que terá sofrido ferimentos na sequência do despiste. A mesma fonte do INEM referiu que "o doente teve uma hemorragia que foi controlada no local".
O tenente-coronel Barros Gonçalves adiantou ao PÚBLICO que duas equipas da GNR estiveram ontem no terreno: uma para localizar o suspeito e outra para cumprir um mandado de captura na residência da vítima, em Monte de Fralães, Barcelos.
Desta operação resultou a apreensão de 150 doses individuais de heroína, duas balanças de precisão e 1285 euros em dinheiro. Além disso, a vítima possuía consigo 75 doses individuais de heroína e 35 de cocaína.
A detenção da mulher da vítima chegou a ser noticiada no final da tarde de ontem, mas a GNR desmentiu que tal tivesse acontecido. A mulher encontrava-se apenas na residência do casal quando a GNR cumpria o mandado de busca.
Segundo fonte oficial, a vítima mortal tinha sido condenada a oito anos por crimes relacionados com o tráfico de droga, mas tinha saído da prisão em Dezembro do ano passado.
A Polícia Judiciária esteve no local onde decorreu o disparo, a fazer recolha de vestígios, já que, como é normal, foi aberto um inquérito judicial para apurar as circunstâncias desta morte. Também a Inspecção-Geral da Administração Interna irá abrir um inquérito às circunstâncias que estiveram na origem da intervenção de ontem da GNR e da morte do alegado traficante na sequência da perseguição.

