Toneladas de alimentos começam a chegar ao Norte do Níger, uma região remota onde milhares de pessoas estão dependentes da ajuda internacional para escapar à fome. O carregamento chega oito meses depois do primeiro alerta lançado pela ONU.
Uma praga de lagostins no ano passado, seguida de uma das piores secas das últimas décadas colocou em risco perto de um terço dos onze milhões de habitantes do país, já de si um dos mais pobres de África. Contudo, o alerta lançado pelas agências das Nações Unidas em Novembro de 2004 não foi ouvido e a ajuda internacional só começou a chegar depois de centenas de pessoas já terem perdido a vida devido à fome.
A queixa voltou hoje a ser repetida pelo ministro dos Negócios Estrangeiros do Níger, Aichatu Mindaudu, que lamentou “que ninguém tenha feito nada” nestes últimos meses para evitar a crise que se vive actualmente no país.
Mindaudu falava à margem de uma visita do seu homólogo francês, Douste-Blazy, a Tahoua, capital da região desértica no Norte do Níger, a mais afectada pela fome. O chefe da diplomacia francesa deslocou-se ao Níger para assinar uma convenção com as autoridades locais, que se irá materializar em ajuda alimentar orçada em 1,5 milhões de euros. Este montante junta-se aos três milhões de euros doados por Paris às agências internacionais que estão a trabalhar no terreno.
A Tahoua chegaram entretanto 306 toneladas de feijões e óleo alimentar, vindas dos armazéns do Programa Alimentar Mundial (PAM) situados em Maradi, no Nordeste do Níger, a cidade onde estão concentradas a maioria das organizações não-governamentais (ONG) presentes no país.
O PAM garante ter mais 2200 toneladas de sorgo, 45 toneladas de óleo e 76 toneladas de feijão comprados na vizinha Nigéria prontos para enviar para Tahoua, onde serão posteriormente distribuídas pelas agências humanitárias. Nos próximos dias, a agência da ONU espera receber em Maradi mais 743 tonelas de arroz, 126 toneladas de óleo e 163 toneladas de feijão, a distribuir pelas populações locais.
Ontem, 88 toneladas de bolachas energéticas chegaram a Niamey, a capital, vindas de Itália, e já hoje um avião fretado pela organização francesa Reunir chegou ao aeroporto de Maradi com 20 toneladas de leite e manteiga de amendoim.
“Damos graças a Deus, ainda que a comida tenha chegado um pouco tarde”, afirmou Mohammed Abdoulaye, responsável da Agência para os Muçulmanos em África, uma das organizações presentes em Maradi, sublinhando que a comida armazenada chega apenas para mais duas semanas. “Agora existe esperança para muitas mais pessoas e acreditamos que a ajuda é suficiente até depois das colheitas”, afirmou.
Desde Julho, a organização está a auxiliar cerca de 700 mulheres e os seus filhos, garantindo várias refeições por dias às crianças, a maioria das quais sofrem de mal-nutrição grave. “Com a ajuda que agora chegou, podemos mandar muitas mães para casa com comida para várias semanas”, afirmou.


