Agente da polícia que agrediu jovem do Porto pediu para entrar de baixa médica

21.04.2006 - 09:04 Por Adelino Gomes, Nuno Amaral (PÚBLICO)
A Associação Sindical de Profissionais de Policia (ASPP/PSP) espera que o inquérito desencadeado ao agente da PSP do Porto que agrediu repetidamente um jovem seja "célere" e "totalmente esclarecedor". "É a imagem da corporação que está em jogo, por isso esperamos que, além de salvaguardar o agente, esta averiguação esteja concluída o mais rapidamente possível", enfatizou Agostinho Pinto, presidente da distrital do Porto da ASPP.
Além do inquérito, a cargo da Inspecção-Geral da Administração Interna (IGAI) e que o Ministério da Administração Interna quer ver concluído num prazo de 30 dias, conforme informou ontem à noite a tutela em comunicado, o agente em causa foi ainda suspenso de trabalho no exterior e terá entrado de baixa médica ontem. "A direcção nacional apenas o inibiu de trabalhar fora da esquadra até que o inquérito fosse concluído, mas ele deu parte de doente", disse ao PÚBLICO Hipólito Cunha, relações públicas da PSP.
As agressões a um jovem, que integrava um grupo que tinha vandalizado um sinal de trânsito, aconteceram na madrugada do dia 12 de Abril. O rapaz foi por várias vezes agredido pelo mesmo agente, enquanto outros 12 efectivos da polícia não conseguiram evitar este incidente, na Rua Andressen Leitão, perto do Campo Alegre. Esta situação foi gravada por um vídeo amador, divulgado pela SIC.
Um "caso isolado" que não pode ser tolerado
"A direcção nacional deu instruções para que fosse desencadeado um rigoroso inquérito, tudo o que possamos dizer neste momento é prematuro. Apesar de ser um caso isolado, é grave e de forma alguma estas situações destas são toleradas pela PSP", realçou Hipólito Cunha. O porta-voz da polícia salvaguarda que o agente "não pode ser julgado antecipadamente", mas admitiu que pode vir a ser alvo de avaliação clínica.
A direcção nacional não divulga, para já, a idade, o posto e os antecedentes do polícia que cometeu as agressões. Para já, o que se sabe é que, até ao final da tarde de ontem, o jovem ainda não tinha apresentado qualquer queixa.
A ASSP acentua também que o caso agora conhecido não é "prática habitual" da corporação. "Lamentamos o sucedido mas confiamos da justeza e rigor da averiguação que está em curso", afirmou Agostinho Pinto.
De acordo com a SIC, na madrugada de 12 de Abril os quatro rapazes viriam de uma festa quando começaram a vandalizar um sinal de trânsito. Um morador terá chamado a polícia e o que se passou a seguir foi registado em vídeo e mostra um dos jovens a ser agredido por um dos agentes que acorreram ao local, na presença de vários outros polícias, que tentaram, sem sucesso, acalmar o colega e evitar as agressões.
De acordo com as imagens divulgados, acorreram depois à Rua Andressen Leitão mais quatro carros-patrulha e uma carrinha das brigadas de intervenção rápida. Mas, mesmo com mais de uma dezena de colegas em redor, o polícia agora suspenso ainda pontapeou e agrediu a murro um dos jovens.

