Advogado aponta "lacunas" à acusação e pede absolvição de líder nacionalista Mário Machado

25.06.2008 - 20:00 Por Lusa
O advogado do líder nacionalista Mário Machado, José Manuel Castro, alegou hoje em tribunal que o Ministério Público não provou os factos imputados ao seu constituinte, apontando várias "lacunas" à acusação, a cargo da procuradora Cândida Vilar.
No âmbito das alegações finais do julgamento em que Mário Machado é acusado, nomeadamente, do crime de discriminação racial, a decorrer no Tribunal Criminal de Lisboa, em Monsanto, José Manuel Castro pediu a absolvição do seu cliente, alegando falta de provas e afirmando que "o Ministério Público demonstrou lacunas na acusação".
Segundo o advogado, a acusação, a cargo da procuradora do Ministério Público Cândida Vilar, terá utilizado o fórum nacionalista (na Internet) para preencher as "lacunas existentes na acusação".
Apenas o incidente em que Mário Machado terá entrado numa tarde de domingo numa zona interdita de um supermercado na Maia foi confirmado, alegando o advogado que Mário Machado terá "entrado pensando genuinamente que tivesse aberto" e que "quando viu que não estava veio-se embora".
José Manuel Castro já tinha afirmado a 13 de Maio passado estar convencido de que a acusação sobre o seu constituinte era "muito frágil" quanto ao crime de discriminação racial que lhe é imputado.
"A minha convicção pessoal é que a pronúncia manifesta-se muito frágil na produção da sua prova, nomeadamente nesse crime [de discriminação racial] que é imputado ao arguido e a todos os outros que estão aqui a ser julgados", afirmou então José Manuel Castro aos jornalistas.
A procuradora Cândida Vilar, nas alegações finais de hoje, pediu pena de prisão efectiva para 34 dos arguidos.
Mário Machado, que esteve em prisão preventiva no âmbito deste processo, é um dos 36 arguidos a serem julgados no Tribunal de Monsanto.
Os 36 arguidos foram pronunciados a 29 de Novembro de 2007 pelo crime de discriminação racial e outras infracções conexas, como agressões e posse ilegal de armas, após uma investigação levada a efeito pela Direcção Central de Combate ao Banditismo (DCCB) da Polícia Judiciária, sob a direcção do Ministério Público.
O julgamento dos 36 arguidos, conotados com a extrema-direita, começou a 8 de Abril.

