A administração dos hotéis Tivoli sustentou hoje que o número de trabalhadores que aderiram à greve "é irrisório" e lamentou que o sindicato esteja a passar uma "imagem deturpada" daquilo que se está a passar na realidade.
"É preocupante a atitude do sindicato e a imagem deturpada que está a tentar passar e que não corresponde à realidade", disse à Lusa o administrador Alexandre Solleiro, referindo que a percentagem de trabalhadores que estão hoje em greve ronda os três a quatro por cento.
De acordo com o responsável, estão 15 pessoas em greve nos hotéis Lisboa e Jardim, não havendo qualquer adesão nas unidades Seteais e Sintra.
O Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Hoteleira, Turismo e Similares do Sul disse, no entanto, que a adesão à paralisação ronda os 90 por cento.
Trinta grevistas concentraram-se às 05h30 junto às garagens do hotel Tivoli Lisboa em protesto contra aquilo que consideram ser a postura "intransigente" da administração em matéria de actualização salarial.
"Houve um segurança que agrediu um dirigente"
De acordo com Rudolfo Caseiro, presidente do sindicato, as primeiras horas da manhã foram marcadas por um episódio de confrontos entre um dirigente e um segurança do hotel.
"Houve um segurança que agrediu um dirigente, o que é lamentável e inaceitável, e iremos tomar medidas", disse Rudolfo Caseiro em declarações à Lusa, acrescentando já ter solicitado a presença da Autoridade para as Condições do Trabalho.
"Lamentamos também que a polícia se tenha prestado a este serviço de protegerem uma ilegalidade que é a entrada de pessoas que nada têm a ver com as unidades", acrescentou Rudolfo Caseiro, criticando o reforço policial no local - inicialmente foi avançada a informação de confrontos entre os manifestantes e a polícia.
Sindicalistas foram "agressivos"
De acordo com Alexandre Solleiro, o que se passou esta manhã foi que alguns elementos do sindicato "tentaram impedir" que alguns trabalhadores que não aderiram à greve entrassem no hotel para trabalhar, chegando mesmo "a ser agressivos". "A própria polícia que estava no local é que chamou reforços para evitar problemas", explicou.
Segundo o sindicato, a empresa tentou introduzir extras no hotel, o que é "ilegal". "Neste fim-de-semana de Páscoa estamos com todos os hotéis cheios e, como é normal em períodos de intensa actividade, recorremos a serviços de reforço de pessoal", afirmou o administrador, lamentando que o protesto não tenha em conta uma das épocas mais fortes do turismo português.
Durante esta tarde, está previsto um plenário de trabalhadores à porta do hotel, em Lisboa, para avaliar eventuais propostas patronais e decidir o prolongamento ou não da greve para o dia de amanhã.


