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Investigação de Maria José Morgado perto do fim

Acusados 16 arguidos no caso da viciação das classificações dos árbitros

26.07.2007 - 09:10 Por António Arnaldo Mesquita, PÚBLICO, com Catarina Sousa

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Cinco dirigentes, oito observadores, dois árbitros e um informático acusados de falsificação de documento Cinco dirigentes, oito observadores, dois árbitros e um informático acusados de falsificação de documento (Nelson Garrido/PÚBLICO (arquivo))
A equipa coordenada por Maria José Morgado acusou cinco dos sete membros do conselho de arbitragem (CA) da Federação Portuguesa de Futebol, nos anos de 2002 e 2003, oito observadores e dois árbitros por falsificação de documento.

O libelo arquivou as suspeitas do crime de corrupção que constavam da certidão emitida pelo procurador adjunto Carlos Teixeira, arquivando também as suspeitas que recaíam sobre cerca de 60 arguidos, entre os quais os dirigentes Jorge Nuno Pinto da Costa, João Loureiro, Valentim Loureiro, José Luís Oliveira e a autarca Isabel Damasceno.

Francisco Costa, actual vice-presidente daquele órgão da Federação Portuguesa de Futebol, foi acusado de seis falsificações de documento, mas o maior número de crimes, 115, visa Pinto de Sousa. Os outros três elementos do CA, António Henrique, Luís Nunes e Azevedo Duarte, integraram as listas lideradas por Gilberto Madaíl, em duas eleições sucessivas, realizadas em 1998 e em 2002.

A alegada viciação da classificação dos árbitros das três categorias principais do futebol português visaria reforçar o poder da Associação de Futebol do Porto, que tem mais 15 árbitros nacionais do que a sua congénere de Lisboa. A eventual adulteração do escalonamento final dos árbitros, naquelas duas épocas, seria consumada através de vários expedientes apurados nas escutas e perícias.

Em alguns casos terá sido concluído que os observadores seriam induzidos a atribuir uma pontuação alta ou baixa, em função do destino que estaria reservado ao árbitro: a despromoção, a promoção ou a manutenção na categoria. Outros esquemas para viciar a classificação final envolviam a escolha prévia do observador em função do grau de dificuldade do desafio, a adulteração dos factores de correcção e/ou das notas atribuídas pelos observadores.

Estes avaliadores dos árbitros também seriam pressionados, uma vez que, no fim de cada temporada, eram sujeitos a uma avaliação por parte dos chamados "assessores". E poderiam ser de igual modo condicionados pelos dirigentes federativos, que são suspeitos de também alterarem o seu escalonamento final, o que poderia implicar mudanças nas funções que lhes eram conferidas na época seguinte. A conjugação da manipulação das notas finais de árbitros e observadores possibilitaria o controlo da arbitragem, através de um esquema que se diria de pescadinha de rabo na boca.

Bases de dados viciadas

A derradeira fase do suposto controlo da arbitragem ocorria quando eram lançadas as notas na base de dados informática da Federação Portuguesa de Futebol.

O responsável por este departamento, Paulo Torrão, foi um dos detidos na fase inicial da operação Apito Dourado. E terá sido aliciado para ir fornecendo aos dirigentes da arbitragem da FPF listagens das classificações parciais dos árbitros, o que daria indicações quanto à necessidade de influenciar o empolamento ou diminuição das notas dos observadores nos jogos para que fossem nomeados.

As investigações tomaram as escutas telefónicas como ponto de partida, mas também envolveram outras diligências e perícias. Esta recolha de prova terá permitido aos titulares dos autos ficarem com uma ideia precisa da classificação final que seria atribuída aos árbitros em dois cenários: com viciação ou sem viciação de notas.

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Silva

26.07.2007 21:37

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