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Em frente à embaixada da China

Activistas manifestam-se em Lisboa contra uso de peles de animais

13.02.2006 - 13:51 Por Lusa

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A associação apela ao público para que não use peles verdadeiras ou falsas A associação apela ao público para que não use peles verdadeiras ou falsas (Malte Jaeger/EPA)
A associação de defesa dos direitos dos animais Aninal associou-se hoje ao Dia Internacional de Protesto contra o Uso de Pêlo através de uma acção simbólica em Lisboa, em frente à embaixada da China, país que lidera a produção mundial de peles.

A Animal encenou um protesto simbólico recorrendo a um cabide com casacos e acessórios de pele pendurados, cartazes com imagens de cadáveres de animais e um activista despido e pintado de vermelho, representando um animal esfolado e ensanguentado.

"Queremos fazer um duplo apelo: aos governos, para que legislem contra esta actividade e ao público, para que não use peles verdadeiras ou falsas", disse o presidente da Animal, Miguel Moutinho.

Os protestos decorrem hoje em 33 embaixadas e consulados chineses em todo o mundo por ser este o país onde mais animais são mortos para extracção de peles.

O activista chamou a atenção para o facto de muitas vezes as pessoas serem enganadas, pensando que estão a comprar peles artificiais, sem saberem que se trata de pêlo verdadeiro.

"O pêlo chinês é muito barato porque é produzido em quantidades industriais, em quintas de peles com condições de grande violência e crueldade", sublinhou.

Sobre a indústria em Portugal, admitiu o mesmo responsável, as informações são escassas. "É uma actividade que acontece, na maior parte dos casos, à margem do conhecimento das autoridades. No ano passado, foi encerrada uma quinta de chinchilas no Peso da Régua, mas é preciso investigar para descobrir onde estão estas quintas", disse o presidente da Animal.

Na China são contabilizados anualmente mais de 400 milhões de animais mortos para esta indústria, embora o valor real deva ser superior a este número.

Raposas, martas, visons, furões, coelhos e chinchilas são alguns dos animas produzidos nas quintas chinesas, mas Miguel Moutinho garante que chegam também ao mercado peles de cão e de gato.

A Animal pretende que sejam proibidas todas as quintas de peles e criadas leis de protecção.

Classificando esta indústria como "supérflua" e "estúpida", condicionada por "critérios de moda questionáveis", Miguel Moutinho salientou que esta actividade se adaptou depois de se ter tornado impopular.

"Agora usam uma nova estratégia, incluindo apliques de pêlo em acessórios como malas, cintos, pulseiras e sapatos. Trata-se muitas vezes de pêlo verdadeiro que passa por artificial e que as pessoas compram sem saber a origem", declarou.

A Animal depositou no correio da embaixada uma carta dirigida ao embaixador e autoridades chinesas na qual apelava a que ponham fim às quintas de peles e que aprovem novas leis de protecção para os animais.

Miguel Moutinho criticou a China por ter rejeitado recentemente um pedido da União Europeia pedindo que acabassem com as quintas de ursos para produção de bílis (usada na medicina chinesa) e admitiu a possibilidade de avançar com um boicote por altura dos Jogos Olímpicos de 2008, que se vão realizar em Pequim.

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