O Tribunal de Ponta Delgada iniciou hoje a segunda sessão do julgamento do processo de abuso sexual de menores da Lagoa, na ilha de São Miguel, com a audição das testemunhas de acusação.
Fonte judicial adiantou que hoje será ouvida, por vídeo-conferência, a médica de medicina legal de Coimbra que efectuou as perícias às alegadas vítimas, a maioria das quais menores oriundos de bairros pobres da maior ilha dos Açores.
O colectivo de juizes, presidido por Araújo de Barros, e os quatro jurados concluíram ontem a audição dos depoimentos dos arguidos, à excepção de dois que se escusaram a prestar declarações, entre os quais o pintor de construção civil conhecido por "Farfalha".
O julgamento continua a decorrer à porta fechada, com elementos da PSP a controlar a entrada de pessoas nas instalações do Tribunal de Ponta Delgada.
À entrada para o tribunal, todos os advogados do processo continuaram a manter silêncio, alegando as "condições em que decorre o julgamento".
Este processo remonta ao final de 2003, quando a Polícia Judiciária deteve o primeiro suspeito ("Farfalha"), que está acusado de 43 crimes, a maioria dos quais de abuso sexual de menores. O pintor de construção civil terá alegadamente utilizado a sua garagem no concelho da Lagoa para práticas de abuso sexual de menores.
Em 2004, a PJ deteve mais 17 homens na ilha de São Miguel, quatro dos quais estão presos preventivamente no estabelecimento prisional de Ponta Delgada.
Os arguidos estão acusados de abuso sexual de menores, actos sexuais e homossexuais, exibicionismo e violação.


