Acidente que matou portugueses em Andorra alvo de duas investigações

10.11.2009 - 18:09 Por Maria Lopes
O acidente na construção do viaduto em Andorra que vitimou cinco operários portugueses está a ser investigado por duas equipas: uma judicial, por alegada negligência grave, e outra pedida pelo Governo a dois peritos em engenharia. Ainda não há data para a trasladação dos quatro corpos ontem resgatados. Entretanto, o Governo decretou luto nacional para quinta-feira.
"A par da investigação judicial por negligência grave, dei esta manhã instruções para que dois peritos fizessem também uma investigação" sobre as eventuais causas do acidente e as condições de segurança em que decorriam os trabalhos, disse o chefe do Governo de Andorra em conferência de imprensa realizada ao fim da tarde.
Ao mesmo tempo, a Inspecção de Trabalho andorrana está também envolvida: tem em marcha um relatório sobre as condições de contratação dos trabalhadores e um outro sobre as condições de segurança da obra, especificou Jaume Bartumeu. Os nove trabalhadores subcontratados à empresa portuguesa Ambicepol têm seguro de trabalho.
O chefe de Governo disse que há um perímetro da obra interditado por decisão judicial e recordou que de manhã havia decidido parar a obra e exigiu à empresa dona da obra, o grupo espanhol Dragados, que apresente ao Executivo "um relatório detalhado e justificado que garanta que a obra foi feita consoante as boas regras da construção para este tipo de edificações e que tem condições de segurança para continuar os trabalhos".
"Mandei parar as obras e é assim que vão continuar enquanto o relatório não for entregue ao Governo e este tiver tempo para o analisar", reforçou. Porém, os trabalhos de outra secção da obra, do outro lado do túnel de Dos Valires, continuam, ajustou o ministro do Ordenamento Territorial, Vicenç Alay.
Questionado pelos jornalistas sobre as eventuais causas do acidente, Jaume Bartumeu remeteu qualquer conclusão para os relatórios técnicos das inspecções que estão a decorrer e para os quais não há prazos, realçou. "Seria precipitado estar aqui a introduzir hipóteses que não seriam mais do que isso: hipóteses."
No Conselho de Ministros andorrano marcado para amanhã será analisada a magnitude da tragédia e os relatórios que já estejam prontos. Na próxima semana haverá uma missa em memória dos trabalhadores falecidos no acidente na igreja de Andorra la Velha. Ontem, o Governo decidiu decretar luto nacional na quinta-feira.
As operações de resgate dos corpos, que foram sendo retirados compassadamente dos escombros durante todo o dia, foram dificultadas pelo agravamento do estado do tempo, inclusive com queda forte de neve. A primeira vítima foi retirada às 6h30 locais (mais uma hora que em Portugal), o segundo corpo às 9h50, o terceiro às 14h35 e, por fim, o último corpo foi recolhido já ao cair da noite, pelas 17h15. Os cadáveres foram transferidos para o Hospital Nostra Senyora de Meritxell, em Andorra. Não se sabe ainda quando serão transladados, já que antes terão de ser identificados e autopsiados.
Nesta unidade de saúde encontram-se ainda três trabalhadores feridos, mas continuam a "evoluir favoravelmente". O que foi operado no sábado (Fernando Pereira, de 40 anos) por ter sofrido um traumatismo craniano e multifacial já recebeu alta e está apenas à espera que se resolvam algumas questões administrativas. Os outros dois devem ficar internados mais duas ou três semanas.
Quanto aos dois feridos com queimaduras de cimento em várias partes do corpo que foram ontem transferidos de Andorra para o Hospital Vall d’Hebron, em Barcelona, mantêm-se em estado considerado grave e sob vigilância. O homem de 56 anos tem uma contusão pulmonar, e 20 por cento da área corporal queimada, com queimaduras de 2.º e 3.º graus, enquanto o de 25 anos tem dez por cento do corpo nas mesmas condições.
O corpo do trabalhador resgatado com vida mas que acabou por morrer no hospital foi ontem transladado para Portugal a pedido da família.
Notícia actualizada às 21h10

