Um dos feridos fala sobre o desabamento da estrutura da obra do Túnel Dos Valires

Acidente em Andorra: “Foi tudo muito rápido e confuso”

08.11.2009 - 15:51 Por Lusa

  • Votar 
  •  | 
  •  0 votos 
Fernando Pereira, um dos portugueses feridos ontem em Andorra, recorda que o acidente “foi muito rápido e confuso”, encontrando-se agora a recuperar de uma cirurgia em Barcelona e com vontade de dizer à mulher e três filhos que está bem.

Residente em Andorra há mais de um ano e a trabalhar para a empresa Unifor, Fernando Pereira ficou ferido com gravidade quando parte da estrutura da obra do Túnel Dos Valires desabou, tendo sido transferido do Principado para o Hospital Vall d’Hebron. À chegada ao hospital catalão, apresentava um traumatismo craniano e maxilofacial. Foi operado ontem à noite de urgência na unidade de Traumatismo e neste momento está fora de perigo, apesar de o seu prognóstico ser considerado grave.

Em declarações à Lusa, por telefone, Fernando Pereira disse que a plataforma cedeu quando os trabalhadores se prontificavam para deitar o betão sobre o tabuleiro. “Foi tudo muito rápido e muito confuso. Não tive tempo de ver nem ouvir nada. Senti como me doía a cabeça, o ouvido e a perna direita”, descreveu.

O trabalhador português, de 40 anos, lembra-se que quando parte do túnel desabou ele usava o capacete de segurança e começou a ouvir muitos gritos.

Uma viagem que parecia sem fim
A viagem de ambulância para Barcelona tornou-se eterna, “parecia que nunca mais tinha fim”, tendo em conta que sentia “muitas dores”. A intervenção cirúrgica, disse, “correu bem”, agora “é preciso ver a recuperação que os médicos dizem que vai demorar um bocadinho”. “Ninguém se pôs em contacto comigo”, disse Fernando Pereira. “Gostaria de “falar com a minha mulher e os meus três filhos e dizer que estou bem”, explicou.

O trabalhador ignora a dimensão da tragédia no Túnel Dos Valires e desconhece que alguns dos seus colegas faleceram.

O desabamento na obra aconteceu ontem ao meio-dia, hora local, e do acidente resultaram cinco mortos e seis feridos, todos portugueses. Hoje, o presidente do Governo de Andorra, Jaume Bartumeu, visitou o local da tragédia e o Hospital Nostra Senyora de Meritxell acompanhado por um dos chefes de Estado do país, o co-príncipe episcopal. Bartumeu disse aos jornalistas que a “obra está parada” e que já está existe uma investigação judicial para averiguar as causas do acidente.

Estatísticas

  • 2308 leitores
  • 0 comentários

URL desta Notícia

http://publico.pt/1408918

Comentário + votado

X

Mais em Sociedade (12 de 16 artigos)

A oposição teme que se crie um "big brother rodoviário" PSD, PCP e BE querem impedir instalação obrigatória de <i>chips</i> nas matrículas