Acidente como o de Angélico Vieira pode chocar mas “não tem efeito educativo duradouro nos jovens”

29.06.2011 - 12:22 Por Lusa, PÚBLICO
Acidentes como o que sofreu Angélico Vieira podem chocar e emocionar mas “não têm um efeito educativo duradouro” nos jovens. Para o presidente da Prevenção Rodoviária Portuguesa, sinistros como o que levou à morte do actor e cantor podem melhorar os comportamentos ao volante mas apenas alterações na formação dos condutores poderão aumentar a segurança nas estradas.
Angélico Vieira, de 28 anos, morreu nesta terça-feira em consequência das graves lesões provocadas por um acidente de viação que sofreu no passado sábado na A1, no sentido Porto-Lisboa, junto à saída para Estarreja. Na origem do acidente terá estado o rebentamento de um pneu da viatura em que seguiam Angélico e outras três pessoas. Destas apenas uma estaria a usar cinto de segurança, um homem que apenas sofreu ferimentos ligeiros. Além de Angélico, do acidente resultou outra vítima mortal, o seu amigo Hélio Danilson Filipe, 25 anos.
Para o presidente da Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP), estes acidentes “não tem efeito nenhum a médio-longo prazo no comportamento dos jovens”. José Manuel Trigoso admite, em declarações à Lusa, que “as pessoas fiquem chocadas, emocionadas e que digam que vão comporta-se de maneira diferente mas isso é passageiro e depois volta tudo ao mesmo”.
O presidente da PRP considera que acidentes como o de Angélico Vieira podem fazer despertar algumas consciências, nomeadamente nas autoridades fiscalizadoras que acusou de “não fazerem acções sistemáticas e contínuas de fiscalização ao uso de cinto de segurança na retaguarda”.
Para José Manuel Trigoso, a solução passa por um conjunto de alterações ao nível da educação rodoviária e do que se faz na formação de condutores. “Na formação de condutores tem de ser feita uma reformulação séria e profunda a começar por uma alteração radical na forma e no conteúdo de fazer exames de condução porque é isso que vai alterar a formação de condutores. É também fundamental alterar o que tem vindo a ser feito na educação rodoviária na escola, tem de se fazer pedagogia do que é circular na estrada e viver na via pública todos os dias”, explicou.
José Manuel Trigoso defendeu ainda a aplicação de “alterações cirúrgicas” nomeadamente no uso sistemático dos equipamentos de segurança que “salvam vidas e custam zero e que não são usados”.

