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Sinistralidade

ABS, airbag e cinto de segurança reduziram mortes na estrada

15.03.2010 - 07:38 Por Andrea Cunha Freitas

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ACA-M defende contabilização dos óbitos nos dias seguintes aos acidentes.

Do lado dos números de vítimas mortais em acidentes de viação ultrapassados pelo suicídio, há um Governo a congratular-se pelos bons resultados da política de prevenção rodoviária. O mérito será da melhoria das ligações rodoviárias e do bom comportamento dos portugueses. Porém, para Manuel João Ramos, da Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados (ACA-M), a explicação não é tão simples. "É verdade que a intervenção em alguns dos mais perigosos itinerários principais ajudou. Mas o salto civilizacional de que tanto se fala não foi dado pelos portugueses, mas pela tecnologia. Foi o ABS, o airbag, o cinto de segurança à frente e atrás, entre outros progressos, que reduziram a mortalidade na estrada", argumenta. "Os acidentes não diminuíram tanto assim. As mortes, sim, porque houve uma melhoria da segurança passiva dos automóveis".

Manuel João Ramos também não esconde a desconfiança sobre a fiabilidade do registo de 776 mortos na estrada em 2008. Além de outros motivos, insiste que este número não inclui os feridos graves que acabam por morrer nos dias seguintes ao acidente. E o acréscimo que o Governo faz para tentar corrigir esta lacuna nas estatísticas não chega. "Números revelados pelo Instituto de Medicina Legal mostram que a diferença é na ordem dos 40 e não dos 14 por cento. Ou seja, aos números oficiais teríamos de somar mais 40 por cento para termos números aproximados aos que se verificam com as chamadas "mortes a 30 dias"", defende.

As chamadas "mortes a 30 dias", que terão começado a ser notificadas este ano, são mais um motivo para duvidar. "Não acredito. Convém ao Governo que o registo não seja bem feito. Se for bem feito, a propaganda não funciona. Não teremos nos próximos anos um sistema muito afinado porque isso significaria manchar a retórica da redução da sinistralidade", critica. Por fim, Manuel João Ramos aproveita para reclamar pelo Plano Nacional de Trauma, que, segundo afirma, "está na gaveta do Governo desde 2005".

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