O secretário-geral do PS, José Sócrates, garantiu hoje que não vai propor a alteração da lei caso o “não” à despenalização da interrupção voluntária da gravidez vença o referendo do próximo domingo.
"Se o 'não' ganhar, a lei ficará como está", afirmou José Sócrates durante uma sessão de esclarecimento para a consulta popular, promovida pelos socialistas, esta tarde, Centro Cultural de Belém, em Lisboa.
Em resposta a um militante que perguntou directamente ao secretário-geral socialista o que fará o partido se o "não" vencer, José Sócrates repetiu aquilo que já dissera no congresso de Novembro: "Se o ‘não’ ganhar o referendo, o PS respeitará o resultado".
Esta foi a resposta indirecta de Sócrates à proposta, feita duas horas antes por um grupo de apoiantes do "não", para que o Parlamento aprovasse um projecto de lei apresentada por uma deputada independente que prevê a suspensão provisória do julgamento em caso de aborto.
"Parece-nos ser uma boa base de trabalho", disse o porta-voz do apelo, Alexandre Relvas, mandatário da "Plataforma Não Obrigado".
Quase à mesma hora, em Barcelos, o líder do PSD, Marques Mendes, propunha a descriminalização do aborto na Assembleia da República, como alternativa a um a lei que torna o aborto livre e a pedido da mulher.
No final da sessão de esclarecimento do PS, a dirigente socialista Maria de Belém reforçou a posição: se o "não" ganhar, a lei penal fica como está. "O PS não está disposto para essa hipocrisia. É o mesmo que não se querer a fogueira e ser a favor da Inquisição", afirmou Maria de Belém.


