Margarida Santos Lopes estava no mesmo avião onde viajavam Jaime Game e Dulce Pontes.
Alvar Vidik e Jane Sinijarv, um casal da Estónia, ambos com 42 anos, saíram ontem de Talin para as suas primeiras férias em Portugal. Depois de uma travessia de barco e de um voo, sentaram-se em Munique no avião que os levaria a Lisboa. Mas de repente, meia hora após o avião descolar, "Jane voou até ao tecto", contou ao PÚBLICO o marido, já depois da aterragem de emergência em Genebra, ontem ao fim da tarde.
No avião viajavam muitos portugueses, entre os quais o Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, com uma comitiva de parlamentares, e a cantora Dulce Pontes com o filho menor. Gama viajava com uma delegação que regressava de uma visita oficial a Pequim e que incluía os deputados Vitalino Canas, porta-voz do PS, Almeida Henriques do PSD, Agostinho Lopes do PCP e Nuno Magalhães do CDS, todos bem.
Houve 14 feridos, dois dos quais graves (duas hospedeiras alemãs) e apenas dois feridos portugueses, disse o cônsul de Portugal em Genebra, Júlio Vilela. Dos dois portugueses que ficaram feridos um, Gonçalo Manuel Duque, não teve alta até ao fecho desta edição e estava sob observação no Hospital Cantonal de Genebra. Ana Paula Ribeiro Carvalho, enfermeira que regressava de um congresso em Basileia com mais seis colegas, foi tratada no Hospital La Tour, tendo sido suturada com um ponto na cabeça, mas teve alta e regressou ontem de madrugada a Portugal.
A maior parte dos passageiros partiu ontem, já depois da meia-noite de Genebra para Lisboa. Um novo avião foi enviado de Frankfurt com uma nova tripulação. Nesse voo, só terão vindo os passageiros que tinham como destino final Lisboa. Os outros, por não terem já ligação á chegada, ficaram a dormir num hotel em Genebra.
"Já passei por situações mais complicadas do que estas, por exemplo nas minhas viagens aos Açores", disse ao PÚBLICO o presidente da Assembleia da República. "Mas nunca tinha vivido uma aterragem de emergência em que tantas pessoas tivessem que ser socorridas." Já recuperado do susto e com o seu conhecido humor, Gama resumiu assim a experiência: "Não tive medo nem pânico, mas foi um momento complicado ver o carrinho da comida ir lá acima e voltar."
A aterragem deu-se depois de o avião da Lufthansa - um Airbus 321 que fazia o voo 4544 - ter atravessado duas grandes bolsas de ar projectando os passageiros que não tinham o cinto apertado contra o tecto.
Houve um estranho pânico silencioso, sem gritos, e Jane Sinijarv começou a chorar convulsivamente, sem conseguir parar, contou o marido. "O pescoço não se mexia e a cabeça ficou muito magoada", contou Alvar Vidik. "Vieram agora dizer-me que ela terá que ficar 12 horas imobilizada para exames. É muito triste. Queríamos ir até ao Norte de Portugal num carro alugado, viemos com um casal amigo. Estamos todos um bocadinho nervosos. Não quero ser pessimista. Acho que ainda vamos passar os 10 dias de férias que planeámos. Talvez Jane tenha que passear com um colar cervical, mas espero que tudo acabe bem." Jane Sinijarv é uma das passageiras em estado grave.
A protecção civil suíça informou que será aberto um inquérito para averiguar o que aconteceu, nomeadamente se a causa do incidente se deveu à meteorologia ou a problemas técnicos.


