A OMS alerta para um possível aumento do número de infecções e mortes da gripe H1N1

22.05.2009 - 14:05
A directora da Organização Mundial de Saúde (OMS), Margaret Chan, disse hoje em Genebra que os países deviam estar preparados para um sério aumento de infecções e mortes causadas pelo vírus da gripe A (H1N1), sobretudo no hemisfério sul, quando está agora a começar a época de Inverno.
“As zonas afectadas pelo vírus devem preparar-se para registar um maior número de casos e mortes”, disse Chan. O novo tipo de estirpe H1N1 pode misturar-se com outros vírus da gripe sazonal, que estão em circulação”, de formas “imprevisíveis”, sublinhou Chan, no encerramento da assembleia-geral da OMS.
“Nos países em que o vírus H1N1 está a espalhar-se pela comunidade em geral, é de esperar que surjam mais casos de infecções graves e fatais. Mas não esperamos, de momento, que disparem os casos graves em termos absolutos”, disse, citada pela Reuters.
A OMS tem sido pressionada para elevar o nível de alerta pandémico de 5, o actual, para 6, levando em conta não só a distribuição geográfica do vírus (está em 42 países), como o grande número de infecções confirmadas (mais de 11 mil e 86 mortes). Mas Chan diz que não há grande diferença entre as medidas tomadas na fase 5 e na fase 6. “A decisão de declarar uma pandemia de gripe é uma responsabilidade e um dever que eu encaro com muita seriedade”, disse. “Avaliarei toda a informação científica disponível, e serei aconselhada pelo comité de emergêmncioa da OMS”, garantiu.
O vírus pode ser muito mais agressivo nos países pobres do hemisfério sul, onde as condições de higiene e os sistemas de saúde são deficitários. Em África há ainda o problema de grande parte da população viver infectada com o vírus da sida e ter tuberculose também – o que pode ser uma combinação explosiva, se forem infectados também com o novo tipo de H1N1.
Entretanto, o ministro da Saúde do Chile já confirmou quatros novos casos, tendo agora um total de 29 casos confirmados, o que o torna o país mais afectado da América da Sul. O segundo é a Colômbia, que soma já 12 casos.
O Instituto de Saúde Pública (ISP) do Chile já tinha confirmado 25 casos, sendo que os primeiros foram 3 mulheres que tinham chegado à pouco da República Dominicana e outras 15 pessoas, todas elas ligadas a um foco da doença numa escola na zona este de Santiago. Um amigo das mulheres foi também contaminado, um caso detectado sem que os sintomas fossem ainda visíveis, e os restantes casos foram verificados em outras escolas da zona este da capital.
De acordo com o mesmo instituto, a maioria dos contaminados apresenta apenas sintomas ligeiros, muito semelhantes aos da gripe comum, e estão a ser tratados em casa. O ISP fez ainda notar que o vírus se propaga mais facilmente entre as crianças, o que explica a rápida propagação da doença nas escolas.
Na Europa, a Itália registou hoje quatro novos casos, todos estudantes que chegaram de uma viagem de estudo dos Estados Unidos. O grupo era composto por cerca de 400 pessoas, entre estudantes e docentes, e foram ao encontro de um outro grupo de 10 mil pessoas em Nova Iorque. Estão agora a decorrer testes para apurar se existem mais infectados.
Como medida de prevenção, o vice-ministro da Saúde italiano, Ferruccio Fazio, decidiu encerrar as duas escolas de Roma que promoveram a viagem. A Itália soma assim um total de 14 casos confirmados.
A Rússia entrou hoje para a lista de países com casos confirmados, ao anunciar o seu primeiro caso, noticiou a Interfax. O paciente tinha chegado recentemente de Nova Iorque, disse Gennady Onishchenko, responsável pela entidade pública de defesa do consumidor.
“Os testes deram positivo e ele foi hospitalizado mas está bastante bem e o seu estado de saúde é bastante satisfatório. Todas as pessoas que estiveram em contacto com o paciente estão já sob observação”, declarou Onishchenko.
O número de países com casos confirmados sobe, assim, para 42.
Noticia actualizada às 16h22

