O líder de um grupo de 12 pessoas envolvido em cobranças coercivas, rapto e homicídio foi hoje condenado no Tribunal de São João Novo, no Porto, a uma pena efectiva de 20 anos de prisão.
O grupo chegou mesmo a raptar a mulher e o filho de um dos alegados devedores, exigindo-lhe o pagamento de 50 mil euros.
Filipe S. foi condenado pelos crimes de associação criminosa, homicídio qualificado, rapto, furto de documentos, falsificação, coacção e detenção de arma proibida. O tribunal deu como provado que, em data não apurada, Filipe S. formou um grupo com a finalidade efectiva de, a pedido de quem o contactasse, cobrar dívidas.
Para tal, o grupo socorria-se “de métodos como perseguições e ameaças explícitas ou implícitas contra a integridade física”, refere o acórdão hoje lido naquele tribunal.
Ficou ainda provado que Filipe S. era chefe de armazém de uma empresa na Maia e que elaborou e levou a cabo um plano para a apropriação indevida de cheques enviados para a empresa através dos correios.
Do processo constava ainda o homicídio de Tiago Ferreira, cujo corpo veio a aparecer a 13 de Março de 2007 num poço em Valongo, já em avançado estado de decomposição. O jovem foi agredido até à morte, na mata de Valongo, por Filipe S. em conjunto com mais três elementos do grupo (Ricardo R., Paulo S. e Ricardo S.).
Foram também condenados, a penas de prisão efectiva, Ricardo R. (17 anos e seis meses), Paulo S. (17 anos e seis meses), Ricardo S. (15 anos e seis meses), Andreia F. (oito anos) e Joel F. (cinco anos e seis meses).
Dos restantes seis arguidos, dois foram absolvidos dos crimes de que estavam acusados e três viram as suas penas (compreendidas entre os três meses e os dois anos de prisão) serem suspensas.


