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O Leviatã financeiro da América

02.01.2012 - 15:59 Por Bradford DeLong

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Em 1950, o sector financeiro e segurador nos Estados Unidos representou 2,8% do PIB, de acordo com as estimativas do Departamento de Comércio norte-americano. Em 1960, essa participação cresceu para 3,8% do PIB e atingiu 6% do PIB em 1990. Hoje, é de 8,4% do PIB e não está a diminuir. Justin Lahart, do jornal The Wall Street Journal, relata que a quota de 2010 foi maior do que o anterior pico em 2006.

Lahart continua a dizer que o crescimento da quota do sector financeiro e segurador na economia “não foi, em geral, uma coisa má... Distribuir o capital nas áreas onde pode ser melhor utilizado ajuda a economia a crescer...”

Mas se os EUA estavam a ter bons resultados dos 5,6% adicionais do PIB que agora são gastos no sector financeiro e segurador – os 750 mil milhões de dólares adicionais, desviados anualmente dos recursos, para pagar as pessoas que directamente produzem produtos de utilidade e prestam serviços úteis –, isso seria evidente nas estatísticas. Numa típica taxa de juro real anual de 5% para os cash flows com risco, desviar essa parte importante de recursos dos produtos e serviços de utilidade directa, este ano, só é uma boa aposta se impulsionar o crescimento económico global anual em 0,3% – ou 6% por cada geração de 25 anos.

Houve muitos choques para a economia dos EUA ao longo das duas últimas gerações e muitos factores foram adicionados ou subtraídos do crescimento económico. Mas não é evidente que, hoje, a economia dos EUA seria 6% menos produtiva se tivesse o sistema financeiro e segurador de 1950, em vez daquele que prevaleceu durante os últimos 20 anos.

Existem cinco formas para uma economia obter ganhos a partir de um bom funcionamento do sistema financeiro e segurador. Primeiro, as pessoas já não são tão vulneráveis aos efeitos dos incêndios, inundações, desastres médicos, desemprego, colapsos de negócios, mudanças sectoriais, entre outros, porque um sistema financeiro e segurador que funcione bem vai diversificar e, desta forma, dissipa alguns riscos e lida com outros, ao juntar os que temem o risco aos que podem suportá-lo confortavelmente. Embora possa ser verdade que o actual sistema financeiro e segurador americano distribui melhor o risco, é, de alguma forma, difícil visualizar essa situação, dada a experiência dos investidores em acções e imobiliário ao longo das últimas duas décadas.

Em segundo lugar, os sistemas financeiros, que funcionam bem, combinam muito os projectos de investimento sem liquidez com os fundos relativamente pequenos de dinheiro contribuído pelos aforradores individuais que valorizam muito a liquidez. Houve uma importante inovação ao longo das últimas duas gerações: as empresas podem agora emitir obrigações de alto rendimento. Mas, dados os custos do processo de falência, nunca foi claro o porquê de uma empresa preferir emitir obrigações de alto rendimento (além de jogar com o sistema fiscal), ou dos investidores preferirem comprá-las, em vez de adquirirem uma participação.

Terceiro, melhores oportunidades para pedir emprestado permitem gastar mais agora, quando se é pobre e poupar mais tarde, quando se é rico. As famílias são certamente muito mais capazes de contrair empréstimos, graças aos empréstimos à habitação, aos saldos de cartões de crédito e ao microcrédito. Mas o que estão elas realmente a comprar? Muitas não estão a comprar a capacidade de gastar enquanto pobres e de poupar enquanto ricos, mas parecem estar a comprar o adiamento do diálogo “desagradável de redução de despesas financeiras” com os outros membros dos seus agregados familiares. E isso é algo que ninguém quer comprar.

Em quarto lugar, temos visto grandes melhorias na simplificação das transacções. Mas, embora as transacções electrónicas tenham tornado a vida financeira muito mais fácil, isso deveria ter sido acompanhado por uma diminuição, não um aumento, da participação financeira do PIB, tal como a comutação automática nas telecomunicações levou a uma diminuição no número de telefonistas por telefonema. De facto, as operações nas áreas do sistema financeiro mais estreitamente relacionadas com os avanços tecnológicos têm agilizado significativamente: considere o que aconteceu com as operações de controlo dos Bancos regionais da Reserva Federal.

Finalmente, um melhor sector financeiro deve significar um melhor governo das sociedades. Uma vez que a democracia accionista não fornece controlo efectivo sobre os enraizados, transitórios e a gestão auto-indulgente, o sector financeiro tem um papel potencialmente poderoso a desempenhar para garantir que os gestores das empresas trabalhem no interesse dos accionistas. E uma mudança substancial ocorreu, de facto, nas últimas duas gerações: os CEO centram muito mais atenção, do que centravam, em satisfazer os mercados accionistas e isso é, provavelmente, uma coisa boa.No geral, porém, continua a ser preocupante que não vejamos os grandes benefícios óbvios, tanto a nível micro como macro, na eficiência da economia dos EUA, que justifique gastar 5,6% adicional do PIB, todos os anos, no sector financeiro e segurador. Lahart cita a conclusão de Thomas Philippon, da Universidade de Nova York, de que o actual sector financeiro norte-americano está sobredimensionado em dois pontos percentuais do PIB. E é muito possível que a estimativa de Philippon em relação ao tamanho da hipertrofia do sector financeiro norte-americano seja muito pequena.

Por que é que a devoção de uma grande competência e empreendimento para com o sector das finanças e seguros não pagou os dividendos económicos evidentes? Há duas maneiras sustentáveis de ganhar dinheiro no sector financeiro: encontrar pessoas com riscos que precisam de ser realizados e correspondê-las a pessoas com capacidade de assunção de risco disponível, ou encontrar pessoas com tais riscos e correspondê-las a pessoas que sejam desinformadas, mas que têm dinheiro. Temos a certeza de que a maior parte do crescimento na área financeira advém de uma percentagem crescente dos profissionais financeiros que empreende a primeira em vez da segunda?

Bradford DeLong
  • Professor na Universidade da Califórnia em Berkeley e antigo subsecretário do Tesouro dos EUA
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Tradução fidedigna!

Este artigo não é dos mais fáceis de se ler mas quem conhece o original deve reconhecer que o ...

Anónimo

11.01.2012 09:59