Manuel Alegre defende que Portugal e outros países europeus estão a ser vítimas de “um novo imperialismo”, liderado pelos capitalismos da Alemanha e de França.
“Estamos a ser vítimas de um novo imperialismo”, disse Manuel Alegre, nesta quarta-feira à noite, em Sobral de Monte Agraço, afirmando que existe “uma economia subordinada ao capital financeiro e uma democracia sequestrada pelo capital financeiro e pelos especuladores”.
O socialista foi mais longe, deixando implícito que a democracia está em risco, ao considerar que é preciso “libertar a democracia”, uma vez que a entrada da troika em Portugal deixou o país sem autonomia. “Ou as democracias controlam os mercados e os especuladores ou os mercados e os especuladores acabam com a democracia”, alertou.
Neste sentido, defendeu que devia haver uma “agência de rating europeia e a regulação dos mercados”, de modo a impedir o avanço deste “imperialismo”.
Para o ex-candidato à Presidência da República, a política de austeridade imposta a Portugal ou à Grécia “não vai resolver outros problemas senão os dos bancos alemães”.
Europa desfeita
Com a força do “imperialismo” alemão, Alegre alertou que “a Europa e o projecto europeu estão a ser desfeitos”, lançando, por isso, o aviso para a social-democracia e o socialismo democrático “retomarem a ofensiva ideológica”, de modo a impedir o avanço das políticas neoliberais.
Nessa estratégia, disse que devem ser tidas em conta “novas políticas que conjuguem o rigor das contas públicas com um projecto de crescimento económico”.
Sobre o Orçamento do Estado para 2012, Alegre afirmou que a estratégia do Governo PSD/CDS-PP passa por “empobrecer o país, com cortes de salários e das pensões e com a distribuição injusta dos sacrifícios”.
Manuel Alegre falava aos militantes socialistas durante a conferência “O que é ser de esquerda”, promovida pela comissão concelhia do PS de Sobral de Monte Agraço.


