O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, foi hoje questionado várias vezes sobre a transferência da sede social da Jerónimo Martins para a Holanda e escusou-se a fazer qualquer comentário.
Durante a conferência de imprensa sobre as conclusões do Conselho de Ministros, a comunicação social colocou esta questão de diferentes formas, mas Paulo Portas optou por nunca se pronunciar sobre a decisão da Jerónimo Martins, que tem causado polémica, nem sobre o sistema fiscal português.
"É a primeira vez que eu venho a este 'briefing', o Conselho de Ministros tem regras formais e eu gostava de cumprir com a formalidade do Conselho de Ministros, onde a matéria não foi abordada", afirmou Paulo Portas, depois de sucessivas perguntas dos jornalistas.
O ministro dos Negócios Estrangeiros repetiu, assim, a resposta que tinha sido dada pelo secretário de Estado da Presidência, Luís Marques Guedes, e que este costuma dar a todas as questões sobre assuntos que não foram objecto de decisão por parte do Conselho de Ministros.
"Não foi um assunto que fosse tratado no Conselho de Ministros e, portanto, qualquer comentário sobre essa matéria terá de ser recolhido noutra sede", respondeu Marques Guedes, a propósito da transferência da sede social da Jerónimo Martins para a Holanda e de eventuais alterações legislativas para evitar casos como esse.
Marques Guedes lembrou que na sexta-feira haverá debate quinzenal com o primeiro-ministro na Assembleia da República e que um dos temas que serão levados a esse debate é o da "internacionalização das empresas portuguesas", acrescentando: "Espero que seja tratado num sentido que não nesse, num sentido mais positivo do que esse, mas esse não deixará também de estar sobre a mesa".
Na segunda-feira, a Jerónimo Martins, proprietária da rede de supermercados Pingo Doce, anunciou que o seu maior accionista, a Sociedade Francisco Manuel dos Santos, vendeu a totalidade do capital que detinha no grupo à sua subsidiária na Holanda, mantendo os direitos de voto.


